Futebol & Arte
Uma surpresa a cada post! É a proposta deste espaço para discussões sobre futebol e também cinema, música, literatura, política e o que der na telha. Afinal, viver é um "chute" e uma arte. Nós, José Renato Bonventi & André Rocha, amigos e membros das comunidades no Orkut "Doentes por Futebol" (original e "Open Bar"), abraçamos este projeto caótico, para discutirmos sobre (quase) tudo e nada concluirmos. Seja bem-vindo!


Sexta-feira, Novembro 30, 2007  

POBRES MATEMÁTICOS

Muitos contestam a participação de matemáticos e estatísticos nos debates acerca do esporte mais popular do planeta. São considerados dispensáveis, enfadonhos e totalmente incompatíveis com a subjetividade e a imponderabilidade do que acontece dentro das quatro linhas. Porém, de uns tempos para cá, com a experiência e a depuração das análises, hoje considerando novas variáveis como, por exemplo, o retrospecto dos adversários em casa e fora ao analisar as possibilidades de um time na busca de um determinado objetivo, as previsões têm sido mais racionais, precisas e, consequentemente, mais bem-sucedidas.

No entanto, neste Campeonato Brasileiro, não haveria gênio dos números que previsse, no início da competição, que o nível seria tão ruim, em especial na luta contra o rebaixamento. E muito menos que as equipes na parte de cima da tabela - exceto o São Paulo, uma ilha de regularidade e competência, apesar do pouco brilho - oscilariam tanto durante competição.

Assim que iniciou-se a competição, a previsão da chamada "linha de corte", que separaria o 17º e o 16º, ou seja, a linha fronteiriça, era de 50 pontos. Segundo os matemáticos, o time de pior colocação dos não rebaixados teria esta pontuação. Hoje, faltando apenas uma rodada, seis equipes não chegarão a essa pontuação, que representa míseros 43% de aproveitamento, ou seja, um desempenho pífio. Fiel retrato da mediocridade assustadora desta 37ª edição do nosso principal campeonato.

Já na parte de cima o Botafogo foi líder por 12 rodadas, era time certo na Libertadores e na antepenúltima rodada já estava fora da briga. O Cruzeiro que disputou a ponta da tabela com o Tricolor do Morumbi viu suas chances de ficar no G-4 reduzirem drasticamente e só ainda está no bolo por conta dos vacilos de Grêmio e Palmeiras, equipes muito bem cotadas que tiveram tropeços inacreditáveis e permitiram que o irregular Santos se mantivesse entre os primeiros e o Fla de Joel e do Maracanã conseguisse uma arrancada histórica e se garantisse na principal competição continental com uma rodada de antecedência, sendo que as chances há cinco rodadas eram remotíssimas.

Pobres mestres dos cálculos, incapazes de mensurar os índices de caneladas e tropeços, os percentuais de incompetência de dirigentes e dirigidos destas equipes que exageraram no coeficiente de ruindade e inconstância nesta temporada.

posted by ANDRÉ ROCHA | 10:50 AM
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Quinta-feira, Novembro 29, 2007  


(Foto: Globo.com)

ROSENBORG 0X4 CHELSEA

Por Luiz Eduardo Mouta

É possível uma equipe que tinha reconhecidamente um dos melhores técnicos do mundo e, quando o perde, claramente melhorar o seu desempenho e forma de jogar? Pois é, o Chelsea mostra que isso é possível. A equipe, que desde o início dessa temporada com o técnico português não vinha obtendo bom desempenho, deslanchou no campeonato inglês – apesar de ainda ter certo prejuízo para o Arsenal, que está na liderança – e garantiu classificação em primeiro lugar no seu grupo para a fase eliminatória da UEFA Champions League.

Alinhado num 4-1-4-1, com Makelele como um pivô defensivo à frente da linha de defesa, Lampard e Essien com liberdade para chegar na frente encostando em Drogba, e a parceria Joe Cole-Shaun Wright-Phillips pelos flancos esquerdo e direito respectivamente, o técnico Avram Grant (ou seria o próprio Roman Abramovich?) encaixou os jogadores chaves nas posições certas, dando liberdade a quem poderia criar e deixando o time mais solto. A saída de bola, que na época de Mourinho se dava por meio de ligação direta, hoje é feita com passes precisos, utilizando-se da técnica e movimentação de seus dois onipotentes meias centralizados (Lampard e Essien), auxiliados pelo sempre dedicado e veterano volante francês.

O time engrenado do jeito que está já é difícil de ser parado. Ainda mais jogando contra um adversário que vem como índios se lançando ao campo de ataque e deixa um rombo imenso à frente da defesa para Joe Cole, Lampard & Cia. exibirem todo o seu repertório de jogadas. O Rosenborg, montado num 4-1-3-2 que variava para um 4-3-1-2 nos momentos defensivos, empolgou-se com a vice-liderança do grupo próxima ao Chelsea, e achou que vindo para cima poderia dar sufoco no clube inglês. Porém, o resultado foi outro: seu pivô defensivo Tetei completamente perdido no combate e penetrações de Joe Cole e Wright Phillips em diagonal, somados à chegada frontal de Lampard, todos com muito espaço. Não demorou muito o time londrino chegou ao gol, com apenas oito minutos de jogo, com o artilheiro marfinense Drogba. Detalhe: contando com a finalização do lance do gol, já tinham sido realizadas, nesses oito minutos, cinco finalizações de real perigo contra o gol da equipe norueguesa.

Não contente com o primeiro gol, o Chelsea continuou a criar jogadas perigosas, em tramas muito bem desenvolvidas por Wright-Phillips, Joe Cole e Essien. É impressionante como os médios da equipe azul cresceram de rendimento nessa nova formação, com muita liberdade de flutuação pelo meio na saída de bola, na zona de armação, e até chegando à área para finalizar. E foi assim que surgiu o segundo gol aos 20 minutos da primeira etapa. Uma antecipação do ganês no círculo central, interceptando uma saída de bola oponente, que foi continuada com um passe para Wright-Phillips. Este fechou em diagonal no espaço à frente da área adversária, e serviu Drogba, que contou com a ajuda de Essien para arranjar um espaço e finalizar, ampliando o placar.

Com o segundo gol, a equipe diminuiu um pouco o ritmo, mas ainda incomodava o Rosenborg. O time norueguês tentava passar pela forte linha de quatro meias protegida por Makelele mais recuado, mas tinha pouco sucesso em suas ações ofensivas, devido à boa compactação inglesa. A primeira etapa foi nessa balada até o fim, mesmo com o gol de falta marcado pelo brasileiro Alex aos 40 minutos, contando com a ajuda do goleiro Hirschfeld, que armou muito mal sua barreira.

O segundo tempo veio com o Rosenborg muito mais cuidadoso, recuando os meias laterais do 4-1-3-2 e formando um losango fixo, fechando melhor os espaços aproveitados pelo Chelsea no primeiro tempo. O time londrino, como já tinha o placar à sua feição, também não fez muita questão de forçar tanto, apesar de vez em quando criar boas jogadas de ataque. Principalmente com o arisco e habilidoso Joe Cole pelo lado esquerdo, com Drogba fazendo muito bem o papel de pivô, mais centralizado.

Mesmo com a saída de Drogba para a entrada de Schevchenko, aos 23 minutos do segundo tempo, a equipe não parou. O atacante ucraniano não fazia o pivô como o marfinense, mas realizava movimentações flanqueadas, que abriam espaços para a penetração frontal de Essien e Lampard. E exatamente dessa forma saiu o quarto gol, aos 28 minutos: mais um roubo na saída de bola do Rosenborg. O ex-atacante do Milan recebeu a bola numa abertura pela direita e tocou rasteiro para o centro, na direção de Essien. O ganês chutou forte, mas não contava com a bela intervenção do arqueiro Hirschfeld. Na sobra, porém, estava Joe Cole, que sacramentou a vitória londrina em Trondheim. Sheva ainda teve uma oportunidade aos 43, defendida prontamente pelo arqueiro norueguês, assim como Ya teve uma chance nos acréscimos, parada pelo italiano Cudiccini.

Inicialmente o Chelsea poderia até não ser o favorito de alguns para conquistar o título da UFA Champions League, até porque já bateu na trave duas vezes, e não vinha mostrando um futebol condizente de um real concorrente à taça. Porém, o crescimento recente de produção da equipe, a ponto de sair de um grupo relativamente difícil com o primeiro lugar garantido, dá credibilidade ao time londrino para a sequência da competição européia.

posted by ANDRÉ ROCHA | 5:35 PM
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WERDER BREMEN 3X2 REAL MADRID


(Foto: Globo.com)

Diego faz falta a qualquer equipe. Ainda mais em um time limitado como o Werder Bremen. Mas contra um adversário mal organizado na defesa, "torto no ataque" e com uma avenida pelo lado esquerdo, o time alemão soube se impor na vontade e inteligência tática e conseguiu uma vitória fundamental na Liga dos Campeões.

Jogando no 4-3-1-2, com o dinamarquês Jensen na ligação do meio com o ataque, o time alemão percebeu cedo que Marcelo pode ser um jovem talentoso e promissor, mas não tem a mínima noção de posicionamento defensivo e é fraco no combate direto. Aos 4, Fritz, mesmo contundido, chegou com facilidade à linha de fundo e cruzou para Sanogo desviar e Rosenberg mandar para as redes.

O Real Madrid de Schuster praticamente abdica do seu lado direito ofensivamente. Sergio Ramos apóia pouco, assim como Diarra. No ataque, Raúl e Nistelrooy até circulam pelo setor, mas sem buscar o fundo do campo. Apenas nas raras vezes em que Robinho cai por ali é que algo acontece. Aliás, na esquerda também é assim. O atacante brasileiro pode exagerar nas firulas e pecar nas finalizações, mas é ele o responsável pelas jogadas mais contundentes da equipe merengue. Aos 13, o camisa 10 recebeu bom passe de Raúl, entrou livre, mas demorou a chutar e Naldo salvou. Segundos depois, Robinho fez o mais difícil: recebeu de Guti em diagonal e bateu colocado no único espaço cedido pelo goleiro Vander, empatando a partida. O time alemão sentiu o gol e passou a dar espaços, principalmente nas bolas enfiadas entre os zagueiros e os laterais, mas os visitantes não souberam aproveitar.

Nos últimos quinze minutos, o Werder voltou a forçar pela direita e ameaçou com o cruzamento de Vranjes que, depois de uma confusão na área, achou Naldo livre, mas ele chutou fraco e Casillas defendeu. Aos 39, lançamento para Rosenberg nas costas de Marcelo. O atacante ganhou de Gago e Metzelder e cruzou para Sanogo pegar muito bem na bola e desempatar.

A segunda etapa começou eletrizante. Com menos de um minuto, Nistelrooy chutou e Vander salvou com o pé. Aos 4, Casillas operou um milagre em cabeçada de Sanogo que Gago salvou no rebote. O Real respondeu em novo avanço de Robinho pela esquerda, que cruzou e Nistelrooy conseguiu concluir bisonhamente com o goleiro já caído. O castigo veio aos 12 minutos, em nova falha do lateral-esquerdo brasileiro, que deixou um buraco do seu lado no rebote de uma bola disputada pelo alto na intermediária do Real e Jensen achou Hunt livre para tocar na saída de Casillas.

Schuster mexeu no time e no esquema: Com a troca de argentinos (Higuaín por Gago), o time passou a atuar no 4-2-3-1 e ganhou uma opção ofensiva pela direita. Mas enfraqueceu ainda mais a marcação no meio e o Werder aproveitou para aumentar a pressão e tentar melhorar seu saldo de gols na disputa parelha do Grupo C. Mas depois de desperdiçar oportunidades com Baumann e Rosenberg, o time de Thomas Schaaf permitiu que Nistelrooy recebesse de Guti e, mesmo se atrapalhando do domínio, tocasse por cobertura, quase num cruzamento, e recolocasse o Real na partida.

Porém, com a inexplicável saída de Robinho para a entrada de Robben, o Real perdeu força ofensiva e pouco ameaçou o gol de Vander. Aos 41, Carlos Alberto (ex-Flu) entrou no lugar de Sanogo. Os dois, que brigaram na semana passada e ficaram de fora do jogo de sábado na Bundesliga, se cumprimentaram fraternalmente. No primeiro toque na bola, o meia-atacante brasileiro pegou rebote do cruzamento de Hunt, novamente pela direita, e bateu fraco para defesa de Casillas, que salvou novamente o Real de uma goleada.

Com a surpreendente virada do Olympiakos sobre a Lazio em Roma por 2 a 1, a disputa continua equilibradíssima, mas parece tomar um rumo. Real e Olympiakos devem confirmar as duas vagas em seus domínios. A equipe italiana parece com menos chances. Já os alemães, embora em situação desfavorável, merecem o respeito pela volta de Diego e pela perseverança e frieza que sempre ajudam em momentos decisivos.

posted by ANDRÉ ROCHA | 10:04 AM
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(Foto: Globo.com)

BRASILEIRÃO - BALANÇO DA PENÚLTIMA RODADA

GRÊMIO 3X0 AMÉRICA-RN -
Num confronto entre uma equipe decadente e com o técnico de saída contra simplesmente o pior time que já disputou a Série A nos últimos dez anos, deu o óbvio, numa partida de nível técnico deprimente. Para o Grêmio, valeram os três pontos que mantiveram as chances remotas de Libertadores;

FLUMINENSE 3X2 JUVENTUDE - Na partida que definiu o rebaixamento do time gaúcho, destaque absoluto para Arouca (misteriosamente esquecido por Dunga na lista dos Sub-23), que marcou dois gols e comandou esse incrível Flu, que soube administrar bem a tranquilidade de disputar um campeonato sem objetivos maiores e consegue uma colocação mais do que honrosa. A equipe de Renato Gaúcho foi o time "quase sem querer" do campeonato;

SÃO PAULO 2X2 BOTAFOGO - O quase amistoso mostrou o Botafogo do campeonato: um time que encanta em alguns momentos, mas que, quando é pressionado de verdade, acaba fraquejando. O time de Muricy jogou no chutão e nas bolas altas e, mesmo sem fazer muita questão, achou o empate e poderia até ter virado e se consagrado na partida em que recebeu a merecidíssima taça de campeão;

INTER 2X1 PALMEIRAS - O Palmeiras pediu para perder, mas não precisava da ajuda de Vágner Tardelli. O juiz não parecia mal intencionado. E todos sabem que ele é fraco demais, indigno de uma partida decisiva. Cabe ao Verdão absolver Valdívia, recuperar Caio, contar com Edmundo em tarde inspirada, atropelar o Galo no Parque Antártica e garantir uma vaga que parecia mais fácil. Já o Inter, após toda a confusão de 2005, está com a manutenção do Corinthians na Primeira Divisão em seus pés no jogo do Serra Dourada (e deve vencer);

PARANÁ 2X3 SANTOS - O time do artilheiro Josiel merece cair. Por mais que a equipe santista seja melhor, Luxemburgo tenha bronqueado no intervalo e mexido bem no time, e Kléber Pereira tenha despertado nos últimos vinte minutos, uma equipe que precisa desesperadamente da vitória jogando no seu estádio não pode abrir 2 a 0 e permitir a virada com a passividade dos paranistas. E o Santos, mesmo aos trancos e barrancos, chega a mais uma Libertadores merecidamente;

SPORT 1X0 CRUZEIRO - O que dizer de um time que não se esperava nada no início, uma boa campanha na metade, a briga pelo título no meio do returno e que agora não depende mais de si para se classificar para a Libertadores? A sensacional vitória contra o Flamengo parecia o momento da virada após a chuva de pipocas no aeroporto. Só parecia...Mesmo assim, as chances ainda existem, já que o último confronto será contra o América-RN no Mineirão. O Sport era dado como favorito ao rebaixamento, mas o bom trabalho de Geninho e o retrospecto positivo na Ilha do Retiro salvaram o Rubro-negro. E Gabiru mostrou mais uma vez que tem estrela;

FLAMENGO 2X0 ATLÉTICO-PR - "Em terra de cego..." Numa competição em que equipes conseguiram vitórias sensacionais fora de casa mas também grandes fiascos em seus domínios, o Fla soube como ninguém ser mandante e deu as ordens num Maracanã sempre entupido de torcedores apaixonados. Em mais uma quebra de recorde de público, a equipe de Joel Santana sobrou em campo, fez dois gols (um do iluminado Renato Augusto e outro, irregular, de Juan) e, com os resultados de Palmeiras e Cruzeiro, garantiu a classificação para a principal competição do continente. A festa foi mais do que exagerada, mas merecida pela recuperação histórica. E o triunfo sobre Ney Franco e Claiton teve um sabor especial para a nação rubro-negra;

FIGUEIRENSE 2X0 NÁUTICO - Na disputa entre duas equipes que alternaram vitórias consagradoras e performances pífias, valeu o mando de campo do Figueira, que entra forte na briga pela Sul-Americana. O Náutico, que chegou a jogar um futebol empolgante em um pedaço da competição, se aproveitou da mediocridade alheia e, apesar da própria, está livre do rebaixamento. Domingo enfrenta o Fla em jogo com cheiro de empate "diplomático";

ATLÉTICO-MG 4X1 GOIÁS - O Galo cumpriu o seu papel vencendo em casa uma equipe que faz uma força quase masoquista para ser rebaixada. O time de Leão mais uma vez mostrou volume de jogo e alta velocidade no ataque. Será um difícil obstáculo para o Palmeiras. O Goiás está entregue, parece sem ânimo e com problemas internos. Só mesmo a torcida no Serra Dourada pode tirar a equipe da Segunda Divisão no domingo contra os colorados;

CORINTHIANS 0X1 VASCO - O Corinthians sentiu a ausência de Finazzi e pecou pela juventude da equipe, tanto nas conclusões erradas quanto no desespero de ir para o ataque deixando os espaços nas costas de alas e volantes, que Leandro Amaral, Morais e os laterais souberam aproveitar. O confronto contra o Grêmio no Olímpico ganha contornos épicos, mas as derrotas dos concorrentes diretos mais uma vez deverão redimir o pior "Timão" dos últimos trinta anos. De qualquer forma, é bom o policiamento ser reforçado no Domingo para evitar uma tragédia nas ruas paulistanas.

posted by ANDRÉ ROCHA | 7:57 AM
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Sexta-feira, Novembro 23, 2007  

BRASILEIRÃO - 37ª RODADA - PALPITES

AMÉRICA-RN 0X1 GRÊMIO;

FLUMINENSE 2X1 JUVENTUDE;

SÃO PAULO 3X3 BOTAFOGO;

INTERNACIONAL 1X1 PALMEIRAS;

FLAMENGO 2X0 ATLÉTICO-PR;

SPORT 2X1 CRUZEIRO;

PARANÁ 0X1 SANTOS;

FIGUEIRENSE 1X1 NÁUTICO;

CORINTHIANS 1X0 VASCO;

ATLÉTICO-MG 1X1 GOIÁS.

posted by ANDRÉ ROCHA | 6:01 PM
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O PERIGO DO DESPREZO



O Flamengo e sua imensa torcida têm o dom de transformar jogadores comuns em ídolos. Rondinelli, Fio Maravilha, Charles Guerreiro e agora Obina são exemplos claros de atletas limitados que caíram nas graças da Nação rubro-negra pela fibra e vontade de vencer, mais importantes para o torcedor que o brilho técnico. Mas também não é raro ver profissionais de respeito serem enxotados do clube a pontapés, nessa bipolaridade amor/ódio típica dos clubes de massa.

Nessas indas e vindas, não foram poucas as vezes na História que alguém renegado pelo Fla conseguiu se vingar do time em ocasiões importantes.

1988 - Cocada, irmão do Muller, é dispensado por Carlinhos no Fla em 1983. Roda o Brasil por vários times sem nunca enfrentar o Rubro-negro. Na final do Estadual, entra aos 40, faz o gol aos 43, é expulso aos 45 por enlouquecer, xingando o treinador do Fla e o banco todo. Vasco bicampeão;

1995 - Renato Gaúcho, que na época se declarava rubro-negro para quem quisesse ouvir, se ofereceu ao Fla e Kléber Leite disse que ele não estava no nível do time que ele planejara para o Centenário do Clube. O Mengo ganhou uma barriga em sua história, perdeu um título e um torcedor;

1996 - Edmundo viveu no Fla o pior momento da sua carreira no ano anterior. No primeiro confronto contra o Rubro-negro, vestindo a camisa do Vasco pelo Brasileiro, fez três gols e acabou com o jogo na goleada de 4X1;

1997 - Joel Santana, demitido após o Brasileiro de 96, assume o Bota e vence, com os reservas, o favoritíssimo Fla por 1 a 0 e tira o Rubro-negro da disputa da Taça Guanabara;

2000 - Primeiro jogo de Romário contra o Fla na sua volta ao Vasco, após aquele episódio até hoje mal explicada no Sul. Três gols, 5X1, Taça GB pro Bacalhau e chocolate num Domingo de Páscoa.

2007 - Roni teve uma passagem para esquecer no Fla, mesmo com a conquista do Estadual. Foi para o Cruzeiro para confirmar que é em Minas que seu futebol rende mais. Se na partida no Maracanã sua atuação foi discreta, no Mineirão o atacante marcou dois gols e foi o grande destaque do massacre azul.

Domingo o Mengo tem jogo decisivo para a conquista da vaga na Libertadores depois de uma recuperação sensacional. Todas as atenções voltadas para o Maracanã, que receberá outro público recorde. Tudo conspirando a favor e...dois renegados no caminho.

Ney Franco e Claiton saíram do clube moídos e mordidos pelas críticas e agora têm a chance de atrapalhar uma campanha que vem se configurando histórica, apesar do péssimo início do time, exatamente quando ambos estavam presentes.

O Mengo deve vir forte e motivado. Mas o amplo favoritismo e o recesso de duas semanas transformam a partida numa incógnita angustiante para a torcida, que já sofreu para conseguir os ingressos para o jogo e espera não se desesperar com a "vingança" de quem foi desprezado e tem nova chance de fazer um estádio lotado de flamenguistas chorar.

Mas desta vez de propósito.

posted by ANDRÉ ROCHA | 5:35 PM
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ANÁLISE PSICOLÓGICA

Por Luiz Eduardo Mouta


É do conhecimento de todos que Dunga essencialmente é um cara leal aqueles que o dão suporte e o apóiam. Era isso que o Ricardo Teixeira queria no momento da escolha do novo técnico brasileiro. Um cara completamente subordinado a ele e que tivesse pulso firme de não deixar os jogadores fazerem do grupo uma zona, como aconteceu na Copa de 2006. Além de incitar nos jogadores o chamado "espírito de seleção", que faltou demais também na Alemanha.

O técnico da Seleção também é um trabalhador metódico, hierárquico e obediente. Obedece aos seus superiores sem questionamentos e, como técnico, convoca os jogadores não levando em conta somente a técnica, mas também espírito de grupo, comportamento fora de campo, comprometimento para com a causa do grupo, relacionamento com os outros jogadores,etc. Como deixa isso claro para o grupo, convoca os mesmos atletas há muito tempo para não perder crédito e autoridade sobre eles, mesmo não tendo confiança em alguns, como Diego e Fernando Menegazzo. Quanto ao Afonso, em vários momentos durante a Copa América teve medo de lançá-lo e queimar o jogador perante à imprensa brasileira, além de abalar a confiança do mesmo. Na semifinal, colocou-o em campo por acreditar que ele seria um bom batedor de pênaltis. Sua idéia foi para o brejo, mas a classificação veio. E isso era o que mais importava naquele momento.

Dunga também é insistente nas idéias que tem para a montagem da equipe. Relutou muito em escalar o trio Robinho-Kaká-Ronaldinho Gaúcho. Insistiu com Elano pelo lado direito, Kaká centralizado e Robinho pelo lado esquerdo, até perceber em jogos amistosos contra seleções mais frágeis e retrancadas que a habilidade do craque do Barcelona era primordial para vencer essas defesas, e deu o braço a torcer na formação do time-base. Só que o que seria inicialmente a sua libertação de uma grande polêmica, pode ser a volta do pesadelo, só que ao contrário: vendo a dificuldade de recomposição defensiva da equipe principalmente pelas laterais e o enorme espaçamento existente entre os dois volantes e os meias ofensivos, possivelmente o próprio treinador já pode estar colocando em xeque “os três fantásticos”, e pensando se não seria mais viável taticamente a volta de Elano ou Josué à equipe titular. Porém, como não desiste e é “faca na bota” (como ele mesmo diz), o treinador deve esperar e persistir na escalação dessa equipe nos primeiros amistosos da Seleção Principal do ano que vem. É bem provável que, na partida contra o Paraguai no Defensores Del Chaco em Junho, ele mantenha as três estrelas brasileiras em campo, por questão de coerência.

É por essas e outras que é melhor não confiarmos em grandes mudanças ao longo do tempo. A não ser por causa de jogadores que façam besteiras fora de campo, por lesão ou por queda de qualidade técnica gritante, como a que teve o Adriano, ainda que motivada por justificativas psicológicas. Mudanças bruscas e radicais, só realmente quando ele perceber que a corda está no pescoço, e que precisa fazer algo urgente em nome do sucesso da equipe. Aí vai se dar o trabalho de ouvir e pensar sobre aquilo que falam aqueles que tanto o criticam. Ainda que muitos o façam apenas porque querem o melhor para a Seleção.

posted by ANDRÉ ROCHA | 3:21 PM
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Quinta-feira, Novembro 22, 2007  

JULIO FABIANO!



Dadá Maravilha costuma dizer que num time de futebol existem nove posições e duas profissões: goleiro e centroavante. Numa noite em que o gigante Juan não esteve tão bem, coube aos "profissionais" Júlio César e Luís Fabiano definir a suada vitória que acabou com o tabu de oito de anos sem vencer os uruguaios e livrou o Brasil de entrar em 2008 numa vexatória sétima colocação nas Eliminatórias.

A Seleção voltou a mostrar os erros grosseiros de partidas anteriores, com péssimo desempenho de volantes e laterais. E desta vez nenhum dos talentosos meias-atacantes fez o jogo fluir. Kaká e Robinho pareciam ansiosos demais e Ronaldinho, assim como na partida em Lima, demonstrava claros problemas físicos.

O Uruguai fez o certo. Manteve a posse de bola, adiantou a marcação fechando os homens que iniciam (ou deveriam iniciar) as jogadas, vigiou o trio criativo e colocou Suárez nas costas de Gilberto. Oscar Tabárez só não contava com uma belíssima atuação de Júlio César, que hesitou apenas no lance do gol de Abreu (assim como Ronaldinho, que deixou Pereira cruzar) e com a felicidade nas conclusões de Luís Fabiano. O gol de empate no final do primeiro tempo, quase da linha de fundo, entre as pernas de Carini (lembrando Giggia em 1950) livrou o time de ir para o intervalo com desvantagem e do abalo psicológico da vaia da torcida paulista que prometia ser histórica. Antes, o goleiro brasileiro já havia salvado a equipe com três belas defensas, a melhor num chutaço de Pereira, em mais uma falha de marcação entre os laterais e os volantes do time de Dunga.

Mesmo com o moral de ter conseguido a igualdade, a Seleção voltou cedendo os mesmos espaços generosos entre os meias e os volantes, e no lado esquerdo, com Gilberto e até Juan sendo envolvidos pelo perigoso Suárez. Júlio César continuou tendo trabalho e fazendo defesas que conquistaram a torcida que pensou em pedir Felipe, Cavalieri e, principalmente, o ídolo Ceni, mas desistiu. A entrada de Josué na vaga de Ronaldinho fez a equipe mudar o esquema para o 4-3-1-2, mas principalmente a postura e a dinâmica em campo. Gilberto Silva ficou mais plantado à frente da zaga e Mineiro passou a correr mais. Os laterais sentiram mais firmeza para apoiar e a equipe cresceu. E num chute errado de Gilberto após cruzamento de Maicon, que ontem até foi bem, o iluminado Luís Fabiano empurrou para as redes.

A equipe brasileira recuou demais e sofreu até o final com as bolas aéreas para Abreu, mas Júlio César estava lá para garantir os três pontos que trouxeram mais alívio do que alegria.

É fato que as referências técnicas da equipe andam mal e não conseguem se entender em campo. Mas ainda é cedo para dizer que o 4-2-3-1 - com Kaká, Ronaldinho e Robinho na criação - é inviável. A menos que Dunga queira insistir com os laterais e volantes atuais. Ter que recuar próximo da zaga para receber a bola e precisar levá-la até dentro da área para o homem-gol é tarefa mais do que árdua para qualquer craque. É sempre bom lembrar que com Cicinho e Zé Roberto apoiando, o trio voou e encantou na Copa das Confederações de 2005.

Seja como for, um país com tantos talentos dentro e fora do grupo escolhido por Dunga não pode se contentar em vencer ou não perder para adversários tecnicamente inferiores apenas por conta de lampejos dos craques, de uma zaga sem erros, de um goleiro inspirado ou de um artilheiro iluminado.

Não podemos viver de rezas para Juan Ricardo, ou Júlio Fabiano, ou Lúcio Róbson, ou...

posted by ANDRÉ ROCHA | 5:20 PM
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Quarta-feira, Novembro 21, 2007  


(Foto: Globo.com)

PROCON NELES!

Os ingressos disponibilizados por uma empresa de produtos alimentícios para a partida Flamengo X Atlético-PR se esgotaram em horas. Em meio a tanto caos e amadorismo, pensei em não comentar sobre algo que revolta e dá náuseas (assim como a morte do torcedor na confusão do jogo de basquete entre Fla X Vasco).

Mas o Editor do Lance!, EDUARDO TIRONI, na coluna "Papo com o Editor" de ontem no diário resume bem o que penso. Veja o que diz Tironi:

"TORCEDORES SÃO CONSUMIDORES

Torcedor e consumidor são tratados como água e óleo no Brasil. Mas não são, O sujeito que gasta seu tempo em filas e seu dinheiro em ingressos (muitas vezes comprados das mãos de cambistas) são também consumidores e, mais do que isso, cidadãos.

A notícia sobre os ingressos para o jogo do Flamengo, que seriam, mas não foram vendidos ontem (segunda-feira), é uma vergonha, para dizer o mínimo.

Não há consumidor mais fiel do que o torcedor de um clube de futebol. Ele está ao lado do seu time, gastando seu dinheiro mesmo que o produto que receba seja de baixa qualidade (veja o público dos jogos do Corinthians, por exemplo).

Os estádios são mal conservados e desconfortáveis, ninguém tem tranquilidade para comprar seu ingresso. Este descaso com que o torcedor é tratado só pode ser explicado pelo fato de ele ser um apaixonado incondicional."

Nada a acrescentar.

posted by ANDRÉ ROCHA | 12:59 PM
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Terça-feira, Novembro 20, 2007  

RECEITA PARA BATER UM PENTACAMPEÃO

A menos que Dunga mude suas convicções e mexa na estrutura e nos nomes (além da entrada de Alex ou Naldo na vaga do suspenso Lúcio - desfalque letal), a receita para o Uruguai e qualquer time razoável do planeta vencer o Brasil em qualquer campo, a meu ver, é:

DEFENSIVAMENTE

- Marcação na linha 2 (meia-pressão) nos laterais e volantes. Juan é técnico e sabe sair jogando. Mas vem se arriscando pouco, pelo temor de expor a defesa;

- Três jogadores colados no trio talentoso, atentos ao recuo de um deles para receber a bola direto dos dois zagueiros;

- Atenção em Juan nas bolas paradas, embora o treinador brasileiro treine pouco esse fundamento.

OFENSIVAMENTE

- Criar jogadas em que as conclusões fujam da área, onde está Juan, como ultrapassagem nas laterais (principalmente em cima de Gilberto, que conta com o auxílio lento de seu xará Silva) e chutes diretos de lá ou cruzamentos para quem vem de trás;

- Total atenção nos rebotes ofensivos, falha gritante dos volantes brasileiros.

Em resumo: Marcar os criativos, não dar chance aos desarmes precisos de Juan e explorar as falhas dos pontos fraquíssimos do time de Dunga: Maicon, Mineiro, Gilberto Silva e Gilberto.

No mais, é contar com aqueles ingredientes indispensáveis para qualquer time: Raça, personalidade, perseverança e um pouco de sorte.

[Texto publicado no Blag do Beting: http://www.lancenet.com.br/blogs_colunistas/mauro/comentarios.asp?idpost=10435]

posted by ANDRÉ ROCHA | 11:39 AM
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Segunda-feira, Novembro 19, 2007  

"CINTO" DE INUTILIDADES

Batman, o imortal Homem-Morcego, sempre salvava sua pele e a do seu inseparável escudeiro Robin apelando para os trunfos guardados no seu inacreditável cinto de utilidades, que dava ao herói dos quadrinhos alternativas para sair de qualquer situação de perigo.

Dunga foi heróico no tetra em 94. Mas agora, fora de campo e em novíssima função, se encontra em apuros por conta de suas escolhas equivocadas que vêm comprometendo a Seleção.

O 4-2-3-1 arquitetado pelo treinador é assim disposto:



Se traçarmos linhas unindo os laterais e os volantes formaremos um cinto ou cinturão de proteção da dupla de zaga e de apoio aos três meias-atacantes. Eles é que deveriam dar segurança aos zagueiros interiores e, principalmente, agilizar a saída de bola para facilitar o trabalho dos jogadores mais ofensivos, sempre muito marcados.

Só que o quarteto está muito frágil no combate direto e absolutamente pífio ofensivamente. O jogo nunca é vertical, são sempre passes laterais ou óbvios.

Quem desarma invariavelmente? Lúcio e Juan.

Quem faz a saída de bola com qualidade? Lúcio e Juan.

Quem dá suporte aos três mais criativos? Lúcio e Juan.

Quem concluiu com mais perigo contra o Peru? Lúcio, Juan...e Kaká, o mais inspirado do trio talentoso.

A Seleção só não amargou uma derrota porque o Peru é muito limitado. E teve a chance da vitória na cabeçada de Juan no travessão no último lance. Não dá para cobrar muito do homem que joga mais à frente neste sistema de jogo. Com um problema tão grave num setor fundamental da equipe não há como a bola chegar em boas condições para o arremate. A questão é mais estrutural do que técnica. Luis Fabiano (hoje o melhor nome, por características e momento na carreira), Ronaldo, Fred, Pato, Liédson ou Adriano teriam as mesmas dificuldades que Vágner Love.

Se os adversários - quando arriscam, como fez o Peru - conseguem chegar até a nossa área com facilidade e só são desarmados pela nossa dupla de zaga, por que não escalar laterais mais ofensivos, como D. Alves e Kléber? Qual o motivo para termos dois volantes tão fracos na saída de bola? Por que não Lucas Leiva, Renato ou até Hernanes, que dariam uma dinâmico de jogo totalmente diferente do sonolento time de Dunga?

Por que esse "cinto" de inutilidades?

posted by ANDRÉ ROCHA | 10:35 AM
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Domingo, Novembro 18, 2007  

A PEDRA NO SAPATO

O Brasil foi atropelado pelos EUA na estréia na Copa do Mundo no Japão. Mais uma vez, a Seleção multicampeã sucumbiu diante da velocidade e volume de jogo do tradicional adversário.

Jogando um vôlei de altíssima velocidade, muita defesa, saque forte e um bloqueio intransponível em algumas passadas de rede, os americanos não deram chance ao time de Bernardinho e fecharam em 3 a 0 com MUITA autoridade, apesar dos placares apertados nos dois primeiros sets (28/26, 30/28 e 25/20). Destaques para Ball e o oposto Stanley, eleito o destaque da partida, principalmente pelo saque arrasador.

O Brasil fez uma partida sem vibração, com atuações apáticas e ruins tecnicamente de André Nascimento (que saiu para a entrada de Anderson) e Dante. Marcelinho não conseguiu dar velocidade às jogadas e Giba esteve simplesmente encaixotado por uma marcação implacável.

O que complica a vida brasileira nessa Copa do Mundo é que a fórmula é por pontos corridos. Começar com derrota foi PÉSSIMO para a Seleção, que disputa uma das três vagas para a Olimpíada.

Não dá para negar que Ricardinho faz muita falta e que o jogo brasileiro não encaixa com o dos americanos. Mas ainda dá para reagir e garantir um lugar em Pequim.

posted by ANDRÉ ROCHA | 8:57 AM
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Sábado, Novembro 17, 2007  

MAIS UMA VEZ ELANO

Novamente Elano será o escolhido por Dunga para entrar no meio-campo brasileiro. Ele treinou entre os titulares no último coletivo na Granja Comary e deve ser confirmado pelo técnico para o jogo contra o Peru em Lima no lugar do contundido Ronaldinho Gaúcho.

Com ele, o treinador brasileiro pode mudar o esquema durante a partida com as mesmas peças. A equipe pode atuar num 4-2-3-1, com Elano pela direita, Kaká pelo centro e Robinho pela esquerda e mudar para o 4-2-2-2, com Elano e Kaká nas meias e Robinho empurrado para o ataque, ou até um 4-3-1-2 - a mais interessante para este que escreve, com Elano fazendo companhia a Mineiro como volante-meia e Kaká na ligação. Taticamente, o meia do Manchester City é a opção mais interessante.

Tecnicamente seria melhor a entrada de Diego, se o meia na Seleção fosse o mesmo do Werder Bremen. Mas com a camisa pentacampeã em jogos oficiais ele acaba mostrando a mesma timidez e apatia dos tempos de Porto.

Elano é jogador da confiança de Dunga, vem se destacando no seu clube e merece a oportunidade. O meia deve dar o equilíbrio tático e o senso coletivo que vêm faltando à equipe brasileira.

posted by ANDRÉ ROCHA | 10:21 AM
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SÓ AGORA?

O Paraná tem razão em protestar contra a mudança dos jogos de Corinthians e Goiás para quarta-feira, dia 28, com as equipes já sabendo do resultado do time paranista contra o Santos, que será realizado no dia 25.

O mais justo seria que todas as equipes jogassem no mesmo dia e horário nas duas últimas rodadas. Mas o que fazer se a emissora detentora dos direitos de transmissão é quem dá as cartas e tem o respaldo contratual para alterar a tabela? Como reclamar de quem paga a conta, adianta cotas aos clubes e recebe todo o apoio sempre que surge um concorrente desejando transmitir o Brasileiro?

O Paraná não tem culpa se nenhum time brasileiro se classificou para as finais da Sul-Americana e as quartas-feiras ficaram "vazias". Mas, como os demais, não pode agora, que seus interesses foram suplantados por questões comerciais, se virar contra seu maior provedor.

Esses acontecimentos deveriam servir para que os clubes se unissem e cobrassem mais vantagens e garantias pela transmissão dos jogos. Mas, por incompetência dos dirigentes, o servilismo deve continuar.

É mais cômodo.

posted by ANDRÉ ROCHA | 9:57 AM
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Quinta-feira, Novembro 15, 2007  

MSC – MOVIMENTO DOS SEM CRAQUES

Manifesto dos Blogueiros a favor da transformação do futebol brasileiro


Nossa paciência está no limite. É triste ver a que ponto chegamos. O futebol nacional nunca esteve tão ruim, tão feio. É difícil de acreditar no que estamos vendo. Craques surgem aos baldes, mas antes mesmo de se tornarem ídolos em seus clubes, que os lapidaram e os revelaram, são vendidos ao exterior, muitas vezes a preço de banana. O que mais nos assusta é que muita gente reclama, muitos esperneiam, mas quem pode tentar reverter a situação não tem feito nada.

Clubes de futebol devendo milhões. Não há clube de futebol sem dívidas no Brasil, mas sim os que devem menos. Estádios precários caindo aos pedaços, monopólios de transmissão em TV, falta de organização e preocupação com o bem estar do torcedor.

Se fôssemos listar tudo que há de errado em nosso futebol, escreveríamos um livro e não um manifesto.

A força dos Blogs e dos blogueiros que vos escrevem é nula ou insignificante, mas nossa comunidade tem crescido a cada dia e com ótimos escritores, jornalistas ou somente fanáticos por futebol, gente que age por paixão, que se dedica e escreve belos textos. Com isso, convocamos todos os amigos, parceiros ou simples militantes do nosso futebol que se engajem nesta campanha em prol do esporte bretão.

Ainda não sabemos o que fazer e como fazer, mas sabemos que algo precisa ser feito com urgência e partindo de alguém. Da imprensa parece que não vai ser. Da CBF não esperamos nada, e do governo menos ainda. Então por que não tentarmos nós? Os clubes vivem um martírio onde as dívidas com suas federações e com o Clube dos 13 os fazem reféns de verdadeiros Barões da cartolagem, limitando as suas possibilidades de ação.

A esperança olha para nós. O povo brasileiro. Não podemos deixar a maior paixão do nosso povo se esfacelar desta forma. Chegou a hora de agirmos. Vamos fiscalizar, divulgar e cobrar. A divulgação nós já fazemos, agora é a hora de começar a cobrar. Temos representantes em todos os cantos. Vamos nos unir porque não custa tentar.

Orlando Silva Júnior, Ministro dos Esportes é o nome de quem devemos começar a cobrar ações, dos dirigentes dos nossos clubes temos que cobrar atitudes e dos nossos Deputados e Senadores temos de cobrar a revisão da Lei Pelé. Temos que começar a criar condições de manter os nossos craques no país, criar condições para que os clubes consigam ter sustentabilidade, e exigir maior transparência nas administrações dos mesmos. Todos nós admiramos o futebol europeu pela sua organização e marketing, e temos que nos espelhar em seu modelo de gestão, melhorando-o e adaptando-o às nossas circunstâncias.

Cabe a nós cobrar. Cobrar, acompanhar e fiscalizar.

Este manifesto é apenas um texto de meros blogueiros que entendem pouco mas que são apaixonados pelo futebol e que têm muita vontade de ver as coisas mudarem. Se tivermos união, sei que poderemos colocar pelo menos um tijolo na construção de uma nova forma de encarar o esporte mais brasileiro que existe.

O nosso futebol merece esse nosso esforço. Contamos com todos. Blogueiros e não blogueiros, uní-vos!

[Texto de Bruno Silva que será postado nesta data por vários Blogueiros que se associaram a este Movimento. Se você tem um Blog sobre futebol, participe! Este é um movimento sem dono ou representante.]

posted by ANDRÉ ROCHA | 10:57 AM
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CRAQUE ATÉ DEBAIXO D'ÁGUA

Fernando Henrique garantiu o placar mínimo, com a colaboração do árbitro Lourival Lima Filho, que ignorou dois pênaltis para o Alviverde. Ainda assim, a justíssima vitória no Parque Antártica recolocou o Palmeiras no G-4 e deixa a torcida esperançosa, mesmo com a ausência de Valdívia. Principalmente porque Edmundo, mesmo num campo encharcado, voltou à equipe com fome de bola e numa posição em que pode ser decisivo e compensar a ausência do talentoso meia chileno.

Renato Gaúcho armou seu Flu num 3-4-2-1 que deu trabalho ao time alviverde no começo do jogo. Mas o Tricolor tinha o déficit de atuações pífias de Cícero e Soares - que sobrecarregavam o perseguido Thiago Neves - e de Fabinho, que sempre se complica quando atua no esquema com três zagueiros e precisa sair para o jogo. Soares perdeu duas boas chances e Fabinho foi desastroso no gol de Rodrigão: perdeu a bola no meio para Pierre, deu condições ao atacante no belo passe de Edmundo entre as pernas de Thiago Silva e depois empurrou para as redes.

A vantagem coroou a visão do jogo de Caio Jr., que começou a partida num 4-3-1-2, mas quando percebeu o domínio do adversário, armou seu time no mesmo esquema do Flu, recuando Pierre e Edmundo. A única diferença era na movimentação ofensiva. Enquanto no Flu Thiago Neves e Cícero flutuavam em torno de Soares, era Edmundo pelo centro o ponto de referência do Alviverde, com Caio ficando mais à direita e Rodrigão à frente, mas pela esquerda, entrando em diagonal. Mais organizado, o Palmeiras anulou os contra-ataques do Flu e colocou Fernando Henrique para trabalhar, em chutes do apagado Caio e do rápido Deyvid Sacconi, que criou boas jogadas e sofreu um pênalti de Fabinho não marcado pelo árbitro. No último lance do primeiro tempo, um susto na torcida: Júnior César passou por Wendel e cruzou para cabeçada de Thiago Neves, que Diego Cavalieri - ontem mais inseguro que o normal - soltou e a bola bateu no travessão.

Na segunda etapa, a chuva apertou e o Flu voltou com o mesmo esquema, porém mais ousado. Mas a equipe não conseguia penetrar na defesa alviverde, bem protegida por Pierre e Makelele e os alas mais recuados. Na retaguarda, os três zagueiros tinham trabalho com um Edmundo mais enfiado. Aos 17, o "Animal" fez bela jogada e foi derrubado na área por Luiz Alberto. Lourival Lima Filho novamente ignorou.

Renato Gaúcho perdeu a criatividade com a saída de Thiago Neves, contundido. As entradas de Adriano Magrão (no lugar de Fabinho), David e Leo (saindo Soares, também contundido) não aumentaram o poder de fogo do time de Renato Gaúcho, e o Palmeiras, com Martinez, Luiz Henrique e Luís nas vagas de Deyvid, Caio e Rodrigão ganhou novo fôlego e pressionou atrás do segundo gol e fez do goleiro tricolor o grande destaque da partida, principalmente pela defesa sensacional, de puro reflexo, em conclusão de Luís dentro da pequena área, após cobrança de escanteio.

A equipe paulista terá dez dias para se preparar para o confronto decisivo contra o Inter no Beira-Rio. Tempo suficiente para o estudioso e competente Caio Jr. pensar na estratégia e Edmundo melhorar a forma física para fazer a diferença para o Palmeiras. Contra o Flu o veterano atacante não fez chover, mas foi fundamental para o importante triunfo alviverde.

posted by ANDRÉ ROCHA | 10:31 AM
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Terça-feira, Novembro 13, 2007  

MOMENTO POÉTICO

"PEDAÇO DE MIM" - CHICO BUARQUE


Oh, pedaço de mim
Oh, metade afastada de mim
Leva o teu olhar
Que a saudade é o pior tormento
É pior do que o esquecimento
É pior do que se entrevar

Oh, pedaço de mim
Oh, metade exilada de mim
Leva os teus sinais
Que a saudade dói como um barco
Que aos poucos descreve um arco
E evita atracar no cais

Oh, pedaço de mim
Oh, metade arrancada de mim
Leva o vulto teu
Que a saudade é o revés de um parto
A saudade é arrumar o quarto
Do filho que já morreu

Oh, pedaço de mim
Oh, metade amputada de mim
Leva o que há de ti
Que a saudade dói latejada
É assim como uma fisgada
No membro que já perdi

Oh, pedaço de mim
Oh, metade adorada de mim
Lava os olhos meus
Que a saudade é o pior castigo
E eu não quero levar comigo
A mortalha do amor
Adeus.

posted by ANDRÉ ROCHA | 7:01 PM
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ÍDOLOS


Foto: Divulgação

CHICO BUARQUE


É o maior gênio brasileiro vivo e em atividade no campo das artes. Poeta e menestrel, gênio da métrica e da rima, compôs e compõe para si próprio, para outros artistas, para musicais, para peças de teatro, para cinema. Escreve para o que for, porque para ele é tudo muito simples. Ouvindo suas obras e lendo seus versos, tudo parece fácil, como um gol de Pelé ou um drible de Mané. Como acontece com todos os extra-séries, deve ser natural para ele compor obras-primas tão encaixadas em letra e música.

Devia existir uma matéria na escola chamada Chico Buarque. Uma ramificação do estudo da Língua Portuguesa. Como seus versos são ricos e deixam espaços para tantas interpretações! Suas canções, ao longo dos anos, são a maior e a mais bela aula de História Brasileira que pode existir.

Francisco Buarque de Hollanda é um conceito inconcebível e ao mesmo tempo de fácil entendimento. Os olhos verdes que encantam mulheres de todas as idades são apenas um "plus" de um homem que desmancharia qualquer fêmea com seu pleno domínio da alma feminina e seu jeito sutil e delicado de cantar. "Atrás da Porta" é o retrato fiel da mulher desesperada de amor, assim como "Olhos nos Olhos" faz qualquer fêmea se encontrar naquele flagrante cantado de desamor triunfante.

Aliás, poucos no planeta fazem versos tão densos e doloridos como ele. O que dizer de "Pedaço de Mim" e seu verso arrasa-quarteirão "A saudade é o revés de um parto, a saudade é arrumar o quarto do filho que já morreu"? Ou "Construção", em que todas as últimas palavras de cada verso são proparoxítonas e ele vai trocando essas palavras sem mudar o sentido da letra, que, como todas do trabalho homônimo de 1971, trata da alienação e da mesmice do cotidiano. Seus momentos mais brilhantes são da época em que, como ele mesmo, ou como Julinho de Adelaide, seu "heterônimo", precisava torcer e retorcer as frases para que a censura da ditadura militar não proibisse a execução de músicas como "Cálice" (essa em parceria com Gilberto Gil) e "Apesar de Você".

Hoje o velho Chico continua jogando bola com seu Polytheama e produzindo, mas com calma e com a inspiração mais espaçada. Seus trabalhos mais recentes são irregulares, mas ele ainda é capaz de escrever pérolas como "Ode aos Ratos" e "Porque era ela, porque era eu" ("Carioca" - 2006). Vê-lo num palco (hoje privilégio de poucos) e participando de projetos alheios é sentir um sopro de genialidade em nossa música popular tão pobre de grandes letristas. Alguns o tratam como um escritor menor. E, realmente, seus livros não alcançam o nível de excelência de suas letras. Mas não será cruel demais exigir que alguém muito acima dos demais numa área também o seja em outra, simplesmente porque a palavra é a mesma matéria-prima?

Chico é o arauto eterno de todas as gerações, que celebram seu olhar tímido e tentam decifrar o jeito enigmático que dá o toque de mistério numa personalidade intrigante e ao mesmo tempo simples como seu canto e seus versos lapidados com um cuidado artesanal de quem domina o seu ofício.

posted by ANDRÉ ROCHA | 6:56 PM
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Segunda-feira, Novembro 12, 2007  

UMA APOSTA "FABULOSA"


(Foto: Globo.com)

Luis Fabiano é temperamental e explosivo. O atacante do Sevilla peca pela irregularidade. O ex-artilheiro do São Paulo foi mal na Copa América de 2004 e acabou de fora da Copa da Alemanha. Ainda assim, é uma aposta mais do que válida de Dunga para uma Seleção tão carente de homens de área.

Não era preciso que Afonso se contundisse (pancada no tendão-de-aquiles da perna esquerda). Luis Fabiano vem fazendo por merecer a oportunidade com gols e boas atuações na Espanha. Mas agora que a chance apareceu, que Dunga o coloque para jogar com Robinho, Ronaldinho e Kaká e faça as devidas observações.

Fica a torcida para que o polêmico atacante se encontre com a camisa pentacampeã e que os gols voltem a aparecer, mesmo que o avante do Sevilla apenas "esquente" o lugar do eterno Ronaldo ou do promissor Alexandre Pato.

Boa sorte, "Fabuloso"!

posted by ANDRÉ ROCHA | 2:34 PM
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MENGO NO ALTO


(Foto: Gilvan de Souza - Lancepress)

Foi um jogo que merecia mais gols, mas faltou contundência aos ataques. Joel foi mais ousado, até por necessidade, e o Fla, de tanto insistir na bola aérea, alcançou a importante vitória na cabeçada de Souza, após linha de passe na área santista.

Luxemburgo tentou ser mais um a explorar os espaços nas costas dos alas rubro-negros. E até conseguiu, com a movimentação de Tabata e Pedrinho. Mas as melhores oportunidades caíram nos pés de Rodrigo Souto, que penetrava com facilidade às costas de Ibson e Toró, mas hesitava no momento da conclusão. Quando o volante chutou com decisão, Bruno fez defesa salvadora.

Ofensivamente, o Fla novamente usou e abusou de seus laterais, especialmente Léo Moura, que se aproveitou bem da fragilidade defensiva do ótimo Kléber e fez bons cruzamentos. Mas foi do pé direito de Juan, mas pela esquerda, que saiu o gol, após cabeçada de Obina para Fábio Luciano, que ajeitou para Souza marcar.

As entradas de Roger e Obina nas vagas de Jaílton e Toró qualificaram o 4-2-2-2 de Joel, que não precisou deslocar um volante para a zaga, já que o Santos só deixava Kléber Pereira à frente. Mas com o gol, o treinador voltou a reforçar a marcação com Leo Medeiros, saindo Souza.

Com as entradas de Renatinho e Petkovic nas vagas de Alessandro e Adriano, o time de Luxemburgo tentou a pressão final, mas a raça da equipe rubro-negra, a segurança de Fábio Luciano e Bruno na defesa e o apoio de quase 90 mil rubro-negros garantiram o placar que coloca o Fla ainda mais próximo da vaga para a Libertadores do ano que vem.

[Texto publicado no Blag do Beting: http://www.lancenet.com.br/blogs_colunistas/mauro/comentarios.asp?idpost=10299]

posted by ANDRÉ ROCHA | 11:49 AM
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O SALVADOR!


(Foto: Nelson Almeida - Lancepress)

Dizer que Felipe garantiu o Corinthians já virou senso comum. Mas em Goiânia, o goleiro salvou também um jogo tenso e de baixo nível técnico, em que suas intervenções - às vezes até exageradas - deram beleza, emoção e mais um toque dramático a uma partida que já carregava o sofrimento das duas equipes lutando contra o rebaixamento.

Numa disputa de erros e acertos, Fábio Ferreira falhou no gol de Paulo Baier, mas se redimiu ao cabecear para o gol e contar com o erro de Harley, que já havia feito boas defesas no jogo. E na boa cobrança de pênalti de Baier, o goleiro corintiano deu aula de como saltar sem se adiantar e defender com elasticidade e agilidade. Mais uma vez o jovem arqueiro foi o destaque absoluto, com uma exibição sem erros.

O empate e os demais resultados da rodada (derrotas de Paraná e Juventude) beneficiaram o Timão, que só depende dele para se manter na "elite" do futebol brasileiro. Mas terá desfalques importantes na próxima partida. As ausências de Zelão e Moradei poderão nem ser tão sentidas, mas perder o artilheiro Finazzi para o confronto com o Vasco (e talvez até o final do campeonato, se o STJD puní-lo pelas ofensas em palavras e gestos para o árbitro Alício Pena Júnior) será um revés difícil de ser superado.

Mais uma missão para "São" Felipe.

posted by ANDRÉ ROCHA | 10:17 AM
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Domingo, Novembro 11, 2007  

QUAL PISTOLEIRO FICARÁ COM A DONZELA?

Por José Renato Bonventi


O FILME DO ANO!

ESTRELANDO:

KID BRAGA como o pistoleiro puxa saco que deveria ter ficado com a mocinha, mas bobeou, virou corno manso, e depois quis aparecer desafiando JUJU para um duelo em frente ao saloon.

KID AIDAR como o ex-líder dos 13 pistoleiros (grupo de heróis formado para combater a quadrilha do maquiavélico Nabi).

O MAQUIAVÉLICO NABI como ex-tutor da mocinha. Figura execrável , mestre em prometer e não entregar, usou os dotes da mocinha para seduzir os inimigos. Faleceu pouco antes da estréia do filme.

ANÃOURÉLIO CUNHA como um anão engraçado mas falastrão demais. É aliado de JUJU, mas de tanto falar, corre o risco de atrapalhar o casamento.

JUJU, O MAGNÍFICO como o pistoleiro mais rápido do Sudeste. Rico, famoso, bonitão e muito esperto. Passou um bom tempo se indispondo com o Alcaide, mas repentinamente ficaram tão amigos que TEIXEIRA marcou até o casamento do pistoleiro com sua netinha.

ALCAIDE TEIXEIRA como o homem mais poderoso e rico do condado, de caráter muito duvidoso e avô da mocinha. Tá doido para casar a mocinha com JUJU, afinal o pistoleiro ganhou novamente o concurso do HOMEM MAIS RÁPIDO DO SUDESTE, e tem uma bela casa para impressionarem juntos os estrangeiros que visitarão o condado.

A FORMOSA TACINHA, a mocinha, que já passou nas mãos de muita gente, foi desprezada por KID BRAGA, tava esquecida e meio acabadona, e decidiu definitivamente arrastar a saia para o bonitão da vez.

GAVIÃO BUENO, gerente do maior saloon da cidade, onde as dançarinas fazem de tudo para agradar a todos. O SALOON VÊNUS PLATINADA não vai tomar parte no duelo, mas certamente celebrará o vitorioso e banirá o derrotado.

ATOR COADJUVANTE:

SPORT, pistoleiro menos conhecido, que se aproveitou da briga entre os 13 pistoleiros e o maquiavélico NABI e escondeu a mocinha por um ano. Como não é bobo nem nada, aproveitou para também seduzí-la .

FIGURANTES:

A IMPRENSA, que na falta de assunto melhor, foi fofocar para KID BRAGA que o ANÃOURÉLIO CUNHA está o chamando de " chifrudo".

O POVÃO, que pouco sabe da história, nunca tinha nem visto a mocinha, mas adora confusões que envolvam traição, ingenuidade, poder e dor de cotovelo.

QUAL PISTOLEIRO FICARÁ COM A DONZELA?

NÃO PERCAM! BREVE EM GRANDE CIRCUITO!

OBS: Eu só não entendo o título sensacionalista em português. Como pode a moça ter tanta história, ter passado nas mãos de tanta gente e ainda ser ser chamada de donzela?

Só pode ser coisa de tradutor oportunista.

posted by ANDRÉ ROCHA | 11:21 AM
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PORQUE MEU AVÔ NÃO GOSTAVA DO BÉCO?

Por José Renato Bonventi


Meu finado avô foi uma das mais interessantes pessoas que conheci. Figura folcórica, foi Presidente do Automóvel Clube da cidade e do Noroeste, na sua fase mais gloriosa (final dos anos 50), quando era considerado, depois do Santos, o mais importante clube do interior paulista. Homem de muitas histórias, ele nunca quis me explicar sua "birra" com o Béco. Fez disso uma marca registrada e era só alguém citar seu nome que o velho Renato amarrava a cara e mudava de assunto.

Bauru tinha dois clubes rivais: o Baquinho e o Norusca. Quem torcia para um não passava nem perto da sede do outro. Meu pai sempre foi da paz e circulava pelos dois clubes com tranquilidade. Fazia parte da legião dos torcedores que lotavam os campinhos para assistirem aquele fenômeno de 12 anos humilhar garotos muito mais velhos. Era quase vizinho do seu Dondinho, conhecia a família toda e só não era da turma do Béco porque as prioridades do meu pai eram ler e estudar, o que continua fazendo até hoje.

O futuro do Béco todo mundo sabia: tinha talento demais, e certamente jogaria em algum clube grande e na seleção brasileira. Meu pai me contou que ele era seguido como um profeta e que o assunto da garotada nas segundas-feiras no Grupo Escolar eram os gols e as jogadas geniais do craque.

Já famoso e campeão do mundo, Béco voltou a Bauru para seu primeiro jogo na cidade depois do feito. Estádio lotado, toda a imprensa presente, meu avô nas tribunas como o mestre de cerimônias. Primeiro tempo: Béco muito apagado e seu time perdendo de 1 a 0 para o Norusca. Meu avô, muito orgulhoso, recebia os cumprimentos de todos e até desceu ao vestiário para elogiar seus pupilos. Segundo tempo: Béco voltou a campo recebendo a maior vaia da sua vida. Em silêncio, dirigiu-se para a torcida, bateu no peito e beijou a camisa do seu clube. Continuaram xingando, mas desistiram quando viram que ele resolvera jogar.

Mais do que ninguém, os torcedores do alvirubro sabiam da tragédia que estava por vir. O principal clube da cidade não pararia de sofrer nem com a saída do Béco do inimigo Baquinho. Foi 4 a 1 de virada com atuaçao de gala do nosso artista, com direito a olé e efusiantes aplausos de todos os presentes. Todos , menos, é claro, o meu avô, que fechou a cara e ficou uma semana de mau humor.

Homem de princípios, rabugento, muito polêmico e de vanguarda, meu avô deixou saudades e realizações por toda a cidade. Influenciou a muita gente e só não conseguiu fazer com que seu filho e seu neto tivessem a mesma raiva que ele tinha (ou que gostava que acreditassem que tinha) do Béco.

Com 40 anos de vida, alucinado por esportes e tendo estado em muitos dos mais importantes eventos do mundo (inclusive duas Copas), posso afirmar que o Béco é meu maior ídolo, motivo maior da minha paixão sem limites pelo futebol. O Béco ficou tão famoso que se transformou numa das personalidades mais importantes do século passado. Mudou até de apelido, e provavelmente vocês o conheçam como um tal de Pelé.

posted by ANDRÉ ROCHA | 11:20 AM
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Sábado, Novembro 10, 2007  

BRASILEIRÃO - 36ª RODADA - PALPITES

NÁUTICO 3X0 AMÉRICA-RN;

INTERNACIONAL 1X2 CRUZEIRO;

BOTAFOGO 1X1 PARANÁ;

PALMEIRAS 1X1 FLUMINENSE;

GOIÁS 1X2 CORINTHIANS;

FIGUEIRENSE 2X0 VASCO;

ATLÉTICO-PR 2X2 SPORT;

FLAMENGO 2X0 SANTOS;

SÃO PAULO 1X0 GRÊMIO;

ATLÉTICO-MG 1X1 JUVENTUDE.

posted by ANDRÉ ROCHA | 2:28 PM
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Sexta-feira, Novembro 09, 2007  

TORCEDOR-DIRIGENTE


(Foto: Globo.com)

É salutar que o dirigente tenha uma relação de amor com o clube. E é até natural que isso aconteça, já que o que move o futebol é a paixão. Mas quando o torcedor passional encobre o dirigente e as decisões que deveriam ser pensadas com calma são deflagradas de acordo com impulsos de alguém fora do seu estado normal, os resultados são caóticos.

Carlos Augusto Montenegro é um apaixonado pelo Botafogo. Ele poderia continuar o bom trabalho no seu Instituto de Pesquisa e levar uma vida mais tranqüila, mas o cartola prefere viver em função do seu time de coração, se dedicando de corpo e alma. Mas o que há de admirável nessa capacidade de doação e fidelidade a uma causa, também tem o seu quinhão ruim por conta do seu temperamento. Na temporada conturbada do Alvinegro, Montenegro se precipitou ou falou demais em alguns episódios em que o silêncio e um pouco de sangue frio ajudariam mais na solução dos problemas. Após criticar a postura pouco profissional de Zé Roberto e garantir que ele não jogaria mais no Botafogo, o polêmico dirigente precisou voltar atrás na sua decisão por um pedido do Cuca, sem antes chamar o treinador alvinegro de louco. Suas criticas contundentes às arbitragens, embora justas em alguns casos, também criaram uma imagem ruim da equipe, que passou a ser mal vista pelos juízes e pela Comissão de Arbitragem.

Mas o maior equívoco do vice de futebol do Alvinegro veio após a inacreditável derrota do Glorioso para o River Plate em Buenos Aires. Enfurecido, xingando os jogadores nominalmente e garantindo que a maioria não permaneceria no clube, Montenegro instalou um clima de desânimo e pessimismo no grupo, tendo ainda vários jogos do Brasileiro pela frente. Ao incitar a torcida a protestar agressivamente, deixou Cuca sem condições de continuar seu trabalho. Depois disse para quem quisesse ouvir que Mário Sérgio não era o nome ideal para o Bota. Que moral que um profissional teria com seus atletas se até quem o contratou não o queria no clube? Em seguida, o dirigente vislumbrou a possibilidade de efetivar o volante Túlio no cargo e chegou a questionar o jogador sobre o assunto sem falar antes com alguém da diretoria alvinegra.

A rápida volta de Cuca acabou sendo uma bola dentro. Se a equipe não conseguiu voltar a mostrar seu melhor futebol e, depois de ser líder da competição, hoje só pode almejar uma vaga na Sul-Americana, pelo menos a sequência de derrotas foi interrompida e o time tem um treinador para planejar o trabalho no próximo ano. Mas Montenegro parece ter dificuldade em ver as coisas calmas no clube e agora, com a saída iminente de Dodô, o cartola insinua na imprensa que o atacante vai embora por conta de um suposto mal relacionamento com Cuca, comprometendo o técnico com a torcida, que pede a permanência do artilheiro. E ainda criticou o jogador pela saída repentina em 2006. Até Dezembro, que mais poderá vir do polêmico dirigente?

Montenegro lembra o Eurico Miranda de tempos atrás, quando plantava crises no Vasco por declarações polêmicas e ajudou o Fla a vencer seu último tricampeonato estadual, além da conquista de 2004, com declarações cantando vitória antes da hora, inflamando o adversário. Ou Márcio Braga, que perguntou quem era Tevez antes de um confronto do Rubro-negro contra o Corinthians em 2005 e teve que testemunhar a maior contratação do futebol brasileiro daquele ano arrasar com a defesa do seu time. Exemplos de dirigentes que deixaram o seu lado torcedor agir contra o seu maior objeto de paixão.

Não se deve exigir dos responsáveis pelo futebol uma postura fria, profissional em excesso ou até indiferente. Mas se observarmos Marco Aurélio Cunha, superintendente de futebol do São Paulo, veremos que ali existe um são-paulino passional, um dirigente também polêmico, principalmente por suas declarações num tom arrogante e as provocações aos rivais paulistas, mas também um gestor competente, que busca sempre o melhor para o seu clube, o que facilita o trabalho dos profissionais. Não à toa o Tricolor do Morumbi sobrou no Brasileirão e o Bota, que esteve folgado na liderança, não teve o equilíbrio para se manter no topo.

Não se pode isentar os jogadores, a Comissão Técnica e o Presidente Bebeto de Freitas pela queda brusca de rendimento do Alvinegro. Mas o torcedor-dirigente Montenegro, com sua paixão desenfreada, ainda que com a melhor das intenções, desestruturou o clube com suas decisões intempestivas. Que ele vá para a arquibancada do Engenhão (grande conquista do Alvinegro em 2007) e se comporte como o torcedor fanático pelo Bota que é. Num posto de direção e num cargo decisório, calma e atitudes racionais acrescentam mais do que peitar o mundo pelo seu time de coração.

posted by ANDRÉ ROCHA | 7:23 PM
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Quinta-feira, Novembro 08, 2007  

O MELHOR CAMINHO NÃO É O MAIS CURTO

Por Luiz Eduardo Mouta (http://blogapaixonadosporfutebol.blogspot.com)


Se perguntarem a um matemático o caminho mais curto entre dois pontos, ele dirá: “É lógico que é uma reta”. Quando uma pessoa indaga outra sobre a trilha mais curta à pé para se chegar a um determinado lugar, o instrutor responde dando informações sobre a menor distância de ruas possível a ser coberta para o sucesso da busca do necessitado. Um repórter esportivo que experimentar perguntar para um futebolista mais simples “Qual o caminho mais fácil de chegar ao gol adversário?” certamente receberá como resposta “Ué rapaz, é só ir com a bola pra frente e, perto ou dentro da grande área, chutar a bola no gol dos caras. Uma hora a bola entra”. Mas o futebol, que sempre se mostra tão diferente de tudo até nos raciocínios mais simplórios, revela-nos que esse não é o meio mais fácil para se atingir a meta inimiga. E acrescenta também uma grande lição no atual cenário brasileiro do jogo.

É crescente ao longo dos anos o número de equipes brasileiras que abdicam da busca de qualidade e organização na transição defesa-ataque. Com o advento dos estudos aprofundados na área de Educação Física em conjunto ao porte e desenvolvimento atlético cada vez maior dos nossos futebolistas, os times mostram crescentemente uma tendência de realizar uma marcação mais avançada - ainda mais jogando em seus domínios - para sufocar o adversário. Com os defensores e médios defensivos cada vez mais pressionados ao receber a bola dos arqueiros, é preocupante o vício que os mesmos têm de fazer a redondinha “pular o meio-campo”, mandando-a diretamente ao campo de ataque, sem o mínimo critério de direção e de quem deve tomar parte na recepção da bola. Como resultado, os atacantes cada vez mais se preocupam em disputar bolas pelo alto e são menos vistas jogadas com tabelas e lances bem tramados pelo chão.

Esse processo de “jumpeamento do meio-campo” ocasiona uma conseqüente desvalorização nos homens que seriam os responsáveis da ligação entre a defesa e a intermediária adversária: os volantes. Algumas equipes, principalmente as de ponta (justificado justamente por isso), mostram-se inclinadas à utilização de jogadores técnicos na posição, com grande capacidade de passe e que procuram fazer o trabalho box-to-box com qualidade. Outras, e não coincidentemente piores colocadas nos campeonatos de maior nível nacional, colocam os novos e velhos brucutus, perseguidores dos meias ofensivos, matando seus homens de frente de tanto lutar por bolas aéreas, e consequentemente isolando-os constantemente do resto do time.

A falta de recursos financeiros sem dúvida é algo que atrapalha na aquisição dos bons “carregadores de piano”. No entanto, muito desse problema deve-se também às divisões de base: muito privilégio à formação física do atleta em detrimento do exercício constante dos fundamentos da posição e do crescimento intelectual-psicológico do jogador. Isso não é levado muito em consideração, mas pode fazer uma diferença gritante no desenvolvimento final de um bom homem de meio-campo.

Como exemplo, na época de jogador, o lendário ponta-de-lança flamenguista Zico cansava de dizer aos seus companheiros: “Quando estiverem me marcando individualmente em cima, é quando mais vocês devem tentar fazer a bola chegar até mim, pois a intenção do adversário é que eu não apareça em momento algum da partida.” Um atleta sem uma boa formação, principalmente no tocante ao psicológico, não adquire a segurança e a personalidade de chamar o jogo para si, mesmo quando marcado e combatido.

A seleção argentina – que tem doutorado em como saber formar um bom jogo coletivo com boas trocas de passes – se usa de um expediente muito interessante quando pressionada na sua saída de bola: com suas linhas de passe para os meio-campistas bem fechadas, seus defensores utilizam-se de bolas longas para as laterais (áreas menos povoadas do campo de jogo), onde é mais fácil para que seus três homens de frente menos favorecidos fisicamente possam ter mais chances de receber a bola, e poder dar o tempo necessário para a subida dos meias e zagueiros laterais de trás.

Os dois exemplos detalhados mostram que, para lidar com a pressão adversária proporcionada pela dinâmica do jogo que é praticado hoje, é necessário calma e inteligência, para simplesmente não se rifar a bola e perder o senso de organização do conjunto. No entanto, essa calma na troca dos passes e a paciência muitas vezes é confundida pelos técnicos brasileiros como lentidão e medo no momento do ataque. Que eles tenham o discernimento de que o futebol, como de costume, contraria a lógica, mostrando que o caminho ideal para se superar os reduzidos tempo e espaço é outro: a trilha mais longa, com transição em bloco, maior alargamento lateral de jogo possível e trocas de bola no campo de ataque que vão de um lado a outro, com rápidas inversões de jogo, regidas pela ousadia de sempre apresentar-se para jogar, mesmo sob forte marcação e pressão dos adversários.

posted by ANDRÉ ROCHA | 5:38 PM
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O PRETO DA ESPERANÇA


Foto: Globo.com

Na partida que passaria despercebida no Domingo, mas que ganhou importância por ser o jogo isolado do Brasileiro no meio da semana, o Juventude manteve, por superstição, o uniforme negro que precisou usar no Parque Antártica na vitória sobre o Palmeiras e, após o triunfo sobre um São Paulo remendado e relaxado por 2 a 0, se agarra a esse amuleto para ainda sonhar com a permanência na Série A em 2008.

O jogo foi fraco tecnicamente e acabou definido na expulsão do jovem zagueiro Danilo Silva ainda no primeiro tempo, logo depois do gol do ala-esquerdo Renato. Forçando pela direita em cima de Júnior, com Camazzola e Bruno se revezando no setor, o Juventude esbanjou determinação, mas esbarrou em suas imensas limitações. O primeiro tempo foi feio pela preguiça do São Paulo e a atuação tímida do talentoso Sérgio Motta. Os lances de emoção apareceram em jogadas de bola parada e nas conclusões da equipe gaúcha que acertaram a trave.

A partida ficou ainda mais sonolenta na segunda etapa, com Aloisio e Leandro, que vieram do banco, demonstrando com gestos para a torcida do time da casa que não estavam se importando muito com a partida. Para completar, Breno, a grande revelação e um dos craques do Brasileiro, acabou marcando contra e definiu o marcador.

A tarefa do Juventude para continuar na "elite" é árdua e o sucesso improvável, pela fraqueza do time, a tabela complicada e a distância de quatro pontos do Corinthians, o último antes da zona do rebaixamento. Mas confiando no uniforme negro e na raça demonstrada nas últimas partidas, a equipe gaúcha espera clarear seu horizonte nesse Brasileiro.

posted by ANDRÉ ROCHA | 12:11 PM
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Foto: Globo.com

TRIO DE OURO

Não foi uma exibição de gala, até pela covardia dos Rangers, que não saíram da defesa em nenhum momento e pareciam conformados com a derrota, só se preocupando com o saldo de gols. Ainda assim, foi bonito ver o Barcelona tocar a bola e envolver o adversário, com direito a momentos mágicos do trio ofensivo Messi-Henry-Ronaldinho Gaúcho.

O craque francês continua com dificuldades de adaptação ao estilo do time de Rijkaard, mas procura compensar com um espírito de sacrifício admirável. Dentro da área, Henry continua inteligente e oportunista, como no lance em que empurrou para as redes jogada criada por Ronaldinho pela esquerda e concluída por Messi. Os dois craques sul-americanos brindaram o público com lances individuais inspiradíssimos e tabelas de rara beleza, como no segundo gol, em que o goleiro McGrath impediu o gol do brasileiro, mas não pôde evitar a conclusão final do jovem craque argentino.

Na segunda etapa o ritmo caiu, Ronaldinho foi para o meio, com Henry indo zanzar pela esquerda, e o Barça sentiu a falta de Deco e de um lateral-direito mais veloz e contundente, o que Puyol não conseguiu ser. Ainda assim, Messi quase marcou um golaço ao colocar a bola entre as pernas do zagueiro Weir dentro da área com imensa facilidade, como se fosse algo trivial. Antes de sair aplaudidíssimo para a entrada do promissor Bojan Krkic, Ronaldinho ainda daria um belo passe para Henry e um perigoso chute a gol. No final, com Gudjohnsen na vaga de Iniesta, o Barcelona economizou na fantasia e esbanjou inteligência e pragmatismo para administrar importante vitória e manter a sua defesa sem ser vazada na Liga dos Campeões, com Valdés se transformando no goleiro da equipe catalã que permaneceu por mais tempo sem tomar gols em uma competição européia (466 minutos).

De tudo que se testemunha em estádios e na TV, o jogo do Barça, que privilegia a beleza e o ataque, é hoje um dos poucos espetáculos no mundo da bola que lamentamos quando termina, por combinar o espírito competitivo e a busca pelos três pontos com a "utopia" do show, de querer fazer mais bonito, se divertindo e encantando a platéia. O time catalão consegue arrancar deste que escreve a confissão da própria torcida para que essa equipe marque sua trajetória com conquistas relevantes e nos faça lembrar por mais tempo desse time que possui um estilo de beleza atemporal, protagonizado por uma trinca de craques de marcar época.

posted by ANDRÉ ROCHA | 11:37 AM
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PIPPO HISTÓRICO


Foto: Globo.com

Inzaghi está muito longe de ser um jogador técnico. Muitas vezes irrita torcedores, espectadores e até companheiros de time com suas jogadas equivocadas. Mas por conta de uma das típicas imponderabilidades do futebol, o atacante já é parte da História de um gigante europeu como o Milan e já havia marcado sua trajetória no Parma e na Juventus. Agora, Filippo atinge uma marca mais do que relevante: com os dois gols contra o Shaktar Donetsk na vitória rossonera por 3 a 0 (Kaká completou o placar), o artilheiro alcança o alemão Gerd Müller na artilharia de competições de clubes organizadas pela UEFA, com plenas condições de superá-lo.

Entre os 62 marcados por Pippo, vários surgiram em lances fortuitos ou inesperados, onde sua contribuição foi simplesmente estar no lugar certo no momento exato, com a bola batendo em qualquer parte do seu corpo. Foi assim no primeiro gol do Milan na final da última UCL, desviando cobrança de falta de Pirlo. Inzaghi sempre se beneficiou por ter grandes jogadores em suas equipes, o que facilita o seu trabalho. Na partida de terça-feira na Ucrânia, novamente Pirlo e Kaká deixaram o artilheiro de frente para o gol em assistências espetaculares. Mas o artilheiro não tem apenas sorte. É dever reconhecer sua vontade de vencer, seu senso de colocação apurado e a personalidade em momentos adversos ou decisivos. O camisa 9 milanês lembra muito o atacante Nunes, o "João Danado", artilheiro que destoava tecnicamente dos demais companheiros naquele lendário Flamengo supercampeão do início dos anos 80, mas fez gols fundamentais nas conquistas mais importantes do time de Zico.

Ronaldo está pronto para voltar, Gilardino cresceu de produção nos últimos jogos e Alexandre Pato é ansiosamente aguardado para Janeiro. Mesmo com tantas opções, o treinador Carlo Ancelotti sabe que nos momentos de maior dificuldade pode contar com a fibra, o oportunismo e a estrela de Pippo Inzaghi, que entre uma canelada e uma jogada menos plástica, faz gols importantes que podem fazer a diferença a favor do Milan e aumentar seus números impressionantes, que o colocam entre os maiores artilheiros da História do futebol europeu.

posted by ANDRÉ ROCHA | 11:15 AM
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Segunda-feira, Novembro 05, 2007  


Foto: Globo.com

OUTROS DESTAQUES DA RODADA

- O principal: A volta de Nilmar! Como é bom ver um jogador de alto nível desfilando sua técnica em nossos campos! No primeiro tempo, enquanto teve fôlego, o jovem atacante pulverizou a defesa vascaína em grandes arrancadas e fez a assistência que terminou no primeiro gol de Fernandão. Com um time ofensivo e mais aguerrido, o Inter sobrou em São Januário;

- Novos resultados imprevisíveis, de arrebentar com qualquer "palpiteiro": Além da derrota do Vasco em casa, o empate do Santos na Vila contra o Galo, derrota do Grêmio em casa para o Figueirense e o empate do Bota contra o América-RN foram as grandes surpresas da rodada;

- E o Palmeiras voltou a vacilar na derrota por 3 a 1 para um Sport que respira mais aliviado e se distancia do rival Náutico, que foi derrotado pelo Flu no sábado e se complica de vez; do Goiás, que perdeu no mesmo sábado para o Paraná - que começa a querer respirar; e do Corinthians, que achou um empate no final com mais um gol salvador de Finazzi e sai temporariamente da zona de rebaixamento. O confronto do alviverde do Centro-Oeste contra o Timão no Serra Dourada promete ser de arrepiar!

posted by ANDRÉ ROCHA | 11:19 AM
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E O CRUZEIRO ACORDOU...


Foto: Globo.com

- O Cruzeiro entrou com a consciência de que o jogo era decisivo. O protesto da torcida regado a pipocas parece ter atingido em cheio o espírito da equipe, que atropelou o Fla, principalmente no primeiro tempo;

- As mudanças de Dorival Jr. também foram fundamentais. O esquema, 3-4-1-2, similar ao do adversário, com Luiz Alberto fazendo a mesma função de volante-zagueiro de Jaílton, fez com que a equipe mineira superasse o oponente na técnica e na inteligência de explorar seus pontos fracos. A marcação implacável (e com muitas faltas) de Charles e Ramires sobre Ibson e a pressão sobre os alas rubro-negros ainda no campo adversário também ajudaram a encaixotar o Fla;

- O Mengo já dá sinais de esgotamento de alguns jogadores importantes na campanha, como Cristian, Ibson e principalmente Juan, que, lento em demasia, chegava sempre atrasado nos lances. Fez o pênalti em Roni, tomou amarelo e seria expulso na segunda etapa se Joel não o tivesse substituído. Foi ele o "mapa da mina" do Cruzeiro no primeiro tempo. Até Jonathan saiu da esquerda para a direita e criou a jogada do segundo gol. A cobertura deficiente de Thiago Sales complicou ainda mais a vida do sistema defensivo rubro-negro;

- Que partida de Roni! Se movimentou, deu bons passes e foi quem mais chutou na equipe mineira. Bateu o pênalti com categoria e mandou de bico no segundo gol. O atacante foi aplaudido ao sair para a entrada de Marcinho. O grand finale de uma belíssima atuação contra o seu ex-clube;

- Maxi e Obina tiveram atuações pífias. A aplaudir do "xodó" da massa rubro-negra, apenas a tranquilidade e inteligência no lance "foca" de Kerlon, que entrou na vaga de Wágner. Obina apenas acompanhou o habilidoso cruzeirense e esperou a bola cair para desarmá-lo antes do chute. Que sirva de exemplo para os demais;

- Roger e Renato Augusto entraram bem. Destaque para o ex-corintiano, que peca muitas vezes pela displicência, mas que deve ser importante nessa reta final, principalmente pelo pé calibrado nas cobranças de falta. Impressiona o fato de ter sido o primeiro da equipe desta maneira na competição;

- O chute preciso de Charles no canto de Bruno no terceiro gol merece elogios. Mas onde estava o meio-campo rubro-negro no lance? Assustador o buraco na intermediária bem aproveitado pelo volante cruzeirense;

- Foi o jogo das "quebras": O Cruzeiro não vencia há sete partidas e o Mengo vinha de cinco vitórias consecutivas. O time azul voltou a ser envolvente em seus domínios e o Fla novamente se complicou longe do Maracanã;

- O futuro dos dois (e de praticamente todos os demais, exceto São Paulo e América-RN) é mais do que incerto. O Cruzeiro tem uma tabela mais favorável e passa a ser o favorito a chegar em segundo. O Fla tem uma semana para recuperar o fôlego e saber se terá o apoio da torcida carioca nos jogos restantes após o julgamento no STJD. A derrota do Palmeiras ajudou demais as duas equipes que seguem vivas na dura e imprevisível disputa pelo G-4.

posted by ANDRÉ ROCHA | 10:55 AM
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PARABÉNS, CORITIBA!


Foto: Globo.com

Belíssimo o trabalho de Renê Simões, profissional dos mais competentes em nossas terras. Com bastante antecedência veio a classificação para a volta à "elite". E o título também deve vir, já que a equipe paranaense sobrou nesta disputa.

Parabéns à diretoria, que soube manter o treinador num momento natural de oscilação no campeonato de uma equipe jovem e que vinha de reveses no Estadual e na Copa do Brasil. Agora o time de Keirrison, Henrique e Pedro Ken deve se planejar bem para não passar o sufoco que os times que subiram em 2006 vivenciam esse ano na Série A. A excelência do trabalho nas divisões de base (que revelaram Miranda e Rafinha, entre outros) é um bom norte para o Coxa não ser mero figurante no Brasileirão.

Boa, Renê! Ótima, Coxa! É muito bom ver um campeão brasileiro voltando ao seu devido lugar!

posted by ANDRÉ ROCHA | 10:20 AM
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Foto: Globo.com

JOGAÇO!

Mais um clássico fantástico do frenético Campeonato Inglês termina empatado. E novamente a coisa pegou fogo nos momentos finais.

Dá gosto ver o Manchester United jogar. Além do lateral-esquerdo Evra, todos do meio para a frente sabem jogar e conseguem dar um toque refinado num jogo de velocidade impressionante! Surpreendente o Anderson de meia-central, mesmo num jogo entre grandes e fora de casa. O ex-gremista marca, briga no meio e quando tem a bola joga com muita categoria e precisão. Mais uma vez Rooney e Cristiano Ronaldo fizeram os gols e foram os destaques da equipe de Alex Ferguson, que só não venceu porque achou que a partida estava definida no gol do craque português aos 36 minutos.

O atual campeão da Premier League teve um Arsenal ofensivo e lutador como oponente. O time de Arsène Wenger entrou com cinco homens no meio-campo, mas nenhum essencialmente marcador. O revezamento no combate e no auxílio à Adebayor na frente foi impressionante. E como joga Cesc Fábregas! Ele faz tudo que se espera de um volante, meia de armação e meia-atacante. Na atual temporada, ninguém está melhor que o jovem espanhol. Mais uma vez marcou um gol e comandou a reação da sua equipe. No final, no 4-3-3 e jogando no abafa, o time londrino conseguiu marcar seu gol num lance em que Walcott pegou torto e o chute virou um passe para Gallas empurrar para as redes como um autêntico camisa 10 e garantir a invencibilidade e manutenção da liderança da equipe londrina na temporada inglesa, que promete o quase impossível: ser superior em emoção e qualidade técnica à anterior. E sempre com momentos eletrizantes até o final das partidas.

posted by ANDRÉ ROCHA | 9:52 AM
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Sábado, Novembro 03, 2007  

A OCASIÃO FAZ O LADRÃO?

Ontem de manhã estava num Supermercado lotado, coisa que me deixa bastante irritado e disperso. Por conta disso, num momento de distração, deixei cair a minha carteira. O locutor, que eu conhecia e tinha acabado de falar comigo, anunciou o meu nome, me devolveu o objeto e me mostrou o casal que tinha achado. Agradeci de longe com um gesto, mas memorizei bem os rostos dos dois. Demonstrações de honestidade sempre me chamam a atenção.

Após enfrentar uma fila quilométrica num calor insuportável, que me deixou ainda mais cansado e perturbado, quando estava colocando minhas compras na esteira, fui surpreendido ao ver no caixa ao lado o mesmo casal escolhendo os alimentos que eram mais necessários e deixando outros porque o dinheiro não daria para comprar.

Infelizmente na hora fiquei tão pasmo, pensando na situação daquele casal que teve a chance de pegar o meu dinheiro, que daria para pagar as compras, que não tive a presença de espírito de tomar a iniciativa de pagar o que ficou faltando. Provavelmente, pela dignidade e ética demonstrada por aqueles dois, eles não aceitariam. Ou até concordassem. Não por uma espécie de "pagamento", mas porque normalmente pessoas do bem têm mais facilidade de aceitar a generosidade alheia.

No caminho para casa, fiquei pensando no velho dito popular de que "A ocasião é que faz o ladrão." Eles tiveram a chance de pegar o dinheiro, utilizariam para levar alimentos para o seu lar, o que para muita gente seria uma bela atenuante, mas não titubearam em devolver, simplesmente porque o objeto não lhes pertenciam.

A necessidade justifica um furto? É claro que numa situação limite, de fome e sede extrema, os parâmetros mudam e o ser humano age por instinto. Mas alguém duvida que muitos que se consideram cidadãos de bem ficariam com o dinheiro e usariam a ocasião e a necessidade como desculpa para ficar com o que não é seu?

É o roubo que faz o ladrão!

posted by ANDRÉ ROCHA | 4:34 AM
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BRASILEIRÃO - 35ª RODADA - PALPITES

FLUMINENSE 1X1 NÁUTICO;

PARANÁ 0X1 GOIÁS;

GRÊMIO 3X1 FIGUEIRENSE;

SANTOS 1X0 ATLÉTICO-MG;

JUVENTUDE 0X0 SÃO PAULO;

CRUZEIRO 1X2 FLAMENGO;

CORINTHIANS 1X0 ATLÉTICO-PR;

SPORT 2X1 PALMEIRAS;

AMÉRICA-RN 0X4 BOTAFOGO;

VASCO 3X1 INTERNACIONAL.

posted by ANDRÉ ROCHA | 4:34 AM
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DESCONSTRUINDO UM "ESQUADRÃO"



Carlinhos achou o Fla campeão da Copa União (e Brasileiro) de 1987 logo na sua estréia, na segunda rodada. Mas se possuía jogadores que serviram e serviriam à Seleção de forma relevante e hoje pode ser visto como um timaço, a equipe rubro-negra tinha problemas e limitações no elenco que acabaram ofuscados pela brilhante conquista.

Na vitória de 2 a 1 sobre o Vasco, o treinador do Fla, conhecedor das divisões de base do clube, trouxe para a equipe titular Leonardo, então com 17 anos, e Ailton e Zinho, dois jovens que haviam aparecido no ano anterior e não tinham chances com Antonio Lopes. A idéia era mesclar a experiência de Leandro, Edinho, Andrade, Zico e Renato Gaúcho (ainda jovem, mas já campeão mundial interclubes e com passagens pela Seleção principal) com a juventude de Zé Carlos, Jorginho, Leonardo, Ailton, Zinho e Bebeto. Taticamente, a equipe atuava num 4-3-1-2, com Zico jogando solto e municiando a dupla de ataque. No meio, Ailton e Zinho corriam e marcavam por Andrade, que jogava na sobra, pegando a bola limpa. Na defesa, Jorginho tinha mais liberdade que Leonardo para apoiar e Leandro e Edinho ficavam mais plantados.

Apesar do esquema bem pensado, o time tinha pontos críticos: a zaga já se mostrava envelhecida e tinha sérios problemas contra ataques mais velozes. Leonardo revelava a imaturidade e a ansiedade naturais para a sua idade e já mostrava as deficiências defensivas que o acompanhariam ao longo da carreira. Isso fazia com que Andrade ficasse mais plantado na cobertura. Como Aílton e Zinho apenas corriam e eram voluntariosos, a criatividade ficava toda por conta de um Zico que lutava contra os problemas crônicos no joelho e não conseguia ter uma sequência de jogos. E pior: não tinha um substituto à altura. Sempre que o Galinho não atuava, Carlinhos apelava para Flávio, um volante lento e sem criatividade, ou utilizava o centroavante Kita (ex-Internacional de Limeira), mudando o esquema para um 4-3-3. À frente, Renato Gaúcho, em grande forma física e técnica, era o mais regular da equipe, até pela liberdade que tinha em campo. Mas a movimentação do atacante atrapalhava Bebeto, seu parceiro no ataque, que também era um jogador que gostava de circular, mas neste sistema precisava ficar mais fixo na área. No banco, Aldair e Zé Carlos II eram boas opções para a zaga, mas do meio para frente, Henágio, Vandick e Kita não mantinham o nível dos titulares.

Sem Zico, Leandro e Edinho na maioria das partidas do primeiro turno, o time teve uma campanha fraca, com apenas duas vitórias, três empates e três derrotas. No segundo turno, ainda sem o Galinho, a equipe venceu o Bota (1 a 0), empatou com o Grêmio (1 a 1) e perdeu para o Atlético-MG por 1 a 0 no Mineirão. Com a volta do camisa 10, a equipe embalou, venceu Palmeiras, Bahia e Santa Cruz (com atuação de gala de Zico, marcando três gols), empatou no Pacaembu contra o Corinthians e conseguiu a vaga na semifinal por conta do regulamento esdrúxulo, que não classificou o Galo, invicto e melhor equipe do grupo nos dois turnos, diretamente para a final, e nem qualificou o Grêmio, o segundo melhor na colocação geral.

Coube ao Fla, segundo melhor do returno, acabar com a invencibilidade da equipe de Telê Santana no Maracanã com um gol de Bebeto, onde a torcida jogou mais do que o time e Zé Carlos garantiu atrás, e depois eliminar o time mineiro em seus domínios numa partida épica, em que Renato Gaúcho, desafeto do treinador da equipe mineira, conseguiu o gol da vitória por 3 a 2 quando a derrota parecia certa. Novamente a equipe sentiu a ausência de Zico, que fez um gol e comandou a equipe no primeiro tempo e saiu para a entrada de Flávio, com o placar em 2 a 1, e assistiu do banco o sufoco e a redenção final.

Na decisão, contra um Inter limitado, mas guerreiro, o time de Carlinhos voltou a ter problemas na defesa e na armação. Mas a jogada de linha de fundo de Renato para Bebeto deu certo no Beira-Rio, no empate em 1 a 1, e no Maracanã, mesmo com o campo pesado, a equipe conseguiu tocar a bola de pé em pé até que ela chegasse ao artilheiro da equipe nas finais, que tocou na saída de Taffarel. Era a consagração de um time que superou suas limitações e conseguiu um título inimaginável na época.

Se Zico e Leandro foram craques consagrados e encantaram o mundo na Copa de 82, Edinho foi o capitão em 86, no México, Andrade foi campeão mundial no Fla e serviu à Seleção algumas vezes, Renato Gaúcho foi o craque das Eliminatórias de 85, Zé Carlos foi à Copa de 90, Jorginho, Leonardo, Zinho e Bebeto foram tetracampeões mundias e Aílton ganhou vários títulos ao longo de sua carreira, naquela Copa União eles formaram uma equipe com sérias fragilidades e irregular, que cresceu no momento certo e garantiu o tetracampeonato que a CBF insiste em negar ao Rubro-negro.

posted by ANDRÉ ROCHA | 3:19 AM
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Sexta-feira, Novembro 02, 2007  

TÔ COM O JUCA!

Com o quinto título brasileiro do São Paulo, já era esperado que a velha polêmica da Copa União de 1987 voltasse com força. A notificação do Fla ao Tricolor Paulista querendo a "taça das bolinhas", que deveria ser entregue ao primeiro pentacampeão, aqueceu ainda mais a discussão.

Todo mundo já sabe da história, que de tempos em tempos é explicada, com as mais diversas versões, mas sempre mostrando São Paulo e Flamengo do mesmo lado. O fato é que os dois estiveram juntos na luta contra a CBF em 1987 e o Fla tem direito de cobrar coerência do "parceiro". Por outro lado, o Tricolor tem razão ao alegar que o Rubro-negro poderia ter se pronunciado requerendo o direito de ter a posse da taça antes de outra equipe conquistar o título pela quinta vez.

Na minha visão, a solução mais elegante seria a proposta pelo jornalista Juca Kfouri: a CBF enviaria a taça ao São Paulo, o clube paulista a repassaria ao Flamengo, que faria uma réplica e a enviaria para o Morumbi. Assim, os dois gigantes se entenderiam e uma incoerência histórica seria parcialmente sanada, já que a CBF, por questões políticas, dificilmente anunciará o Mengo como o campeão nacional de fato e direito daquele ano.

Clubismo, bairrismo, politicagem, média de dirigentes com suas torcidas. Tudo isso impede que questões simples como essa sejam resolvidas com nobreza e inteligência. Mas o jogo de interesses suplanta o interessante do jogo. Todo este embate só me faz lembrar a célebre frase de Napoleão Bonaparte: "O Homem luta com mais bravura pelos seus interesses do que pelos seus direitos."

Que os multicampeões se entendam e o imbróglio se defina logo. Até porque essa briga já cansou...

posted by ANDRÉ ROCHA | 10:32 PM
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QUINTA RUBRO-NEGRA



Como fazer prognósticos num campeonato em que um virtual classificado para a Libertadores perde seu principal jogador num lance infantil e logo na rodada seguinte é derrotado por um time quase rebaixado? Como prever que uma equipe moralmente dilacerada como o Bota, que já foi líder e ontem fugiu em definitivo do risco de rebaixamento, golearia o Cruzeiro, que era vice-líder e jogava um belo futebol até outro dia? Dava para imaginar que o Fla de Joel, que já foi penúltimo colocado, chegaria na reta final, faltando quatro partidas, na terceira colocação e com reais chances de disputar a principal competição continental do ano que vem?

No Palestra Itália, os donos da casa tiveram um início hesitante e praticamente só acordaram depois do gol de Régis. Num campeonato tão nivelado (por baixo), entrar em campo achando que vai fazer o gol quando quiser é a senha para ser surpreendido. Depois do susto, o Palmeiras voltou a ser ofensivo e envolvente, mas não foi feliz nas conclusões. Rodrigão chegou à acertar o travessão com uma bela bicicleta e Martinez também acertou o poste em cobrança de falta. Nem a superioridade numérica, com a expulsão de William aos 12 da segunda etapa, fez com que o Alviverde alcançasse o empate que, àquela altura, seria um resultado fantástico. Foi a primeira derrota da equipe utilizando a linda camisa verde-limão, considerada um "amuleto" do Verdão nas últimas partidas.

E o Bota voltou a jogar o futebol que encantou o Brasil meses atrás. Tocando e girando, com Juninho seguro na defesa, Túlio voltando à equipe e fazendo seu importante trabalho tático e ainda aparecendo na frente, Joilson sendo o ala-meia e Dodô e Zé Roberto aterrorizando a defesa adversária, o time de Cuca sobrou em campo e não deu chance ao Cruzeiro de Dorival Jr., que precisará resgatar o espírito da sua equipe e reorganizar o sistema defensivo para o "jogo de seis pontos" no domingo, contra o Flamengo, o maior beneficiado desta 34ª rodada.

posted by ANDRÉ ROCHA | 10:12 AM
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Quinta-feira, Novembro 01, 2007  

JOGOS HISTÓRICOS



FRANÇA 3X0 BRASIL - COPA DO MUNDO DE 1998

Local: Stade de France em Saint-Denis
Data: 12/07/1998
Árbitro: Saïd Belqola (Marrocos)

PORQUE É INESQUECÍVEL

Foi a primeira conquista da França. Comandada por Zinedine Zidane, a Seleção Francesa conquistava o mundo com uma vitória categórica sobre o Brasil, então campeão mundial e favoritíssimo ao título. Foi também a derrota mais elástica do Brasil na História das Copas.

OS PAÍSES EM 1998

O Brasil de Fernando Henrique Cardoso tentava a todo custo manter o Plano Real e a estabilidade dos preços. As crises mexicana, asiática e russa debilitaram a economia do país, que teve uma acumulação contínua de passivos públicos e externos, mas o governo conseguiu manter o clima de otimismo do povo e, meses depois da Copa, FHC seria reeleito ainda no primeiro turno.

Na França, após antecipar as eleições parlamentares de 1998 para maio de 1997, na expectativa de ampliar a representação dos conservadores na Assembléia Nacional e aprovar com mais facilidade as medidas de austeridade econômica exigidas pela UE, o Presidente Jacques Chirac vê a oposição socialista sair vitoriosa, e seu líder, Lionel Jospin, se tornar primeiro-ministro. Jospin reduziu os encargos sobre os salários mais baixos, estimulou a criação de empregos para mais jovens e reduziu a jornada de trabalho para 35 horas. Mas, assim como o Brasil, a França aumentava sua dívida pública e incentivou ainda a desestatização e a fusão de grandes empresas para fazer frente à globalização.

AS CAMPANHAS ATÉ A FINAL

A França fez uma campanha irretocável na primeira fase. Com vitórias convincentes sobre África do Sul (3X0), Arábia Saudita (4X0) e a forte Dinamarca (2X1), a equipe francesa justificou o favoritismo no grupo e terminou na liderança. Nas oitavas-de-final, os anfitriões tiveram problemas para superar o fantástico sistema defensivo do Paraguai, comandado por Gamarra, só conseguindo vencer no "golden goal" do zagueiro Blanc. Nas quartas-de-final, após o empate de 0 a 0, a França superou os italianos nos pênaltis por 4 a 3 e se classificou para a semifinal contra a Croácia do artilheiro Suker, a grande surpresa da Copa. Mas dois gols de Thuram garantiram a vitória por 2 a 1 e a tão esperada classificação para a final.

O Brasil, com Zico como coordenador técnico e sem Romário, cortado pouco antes da Copa, fez uma primeira fase irregular, estreando com uma vitória sofrida contra a Escócia por 2 a 1. Contra Marrocos, o Brasil teve a sua melhor atuação e goleou por 3 a 0. Já classificado em primeiro lugar, o Brasil entrou relaxado demais para a última partida e acabou sendo derrotado pela Noruega de Tore Andre Flo por 2 a 1. Nas oitavas, o Brasil achou dois gols de César Sampaio e depois matou o Chile com mais dois de Ronaldo, fechando a goleada em 4 a 1. Em seguida, num jogo complicado contra a Dinamarca de Laudrup, valeu o talento de Rivaldo, que definiu a vitória por 3 a 2. Na semifinal, o jogo mais emocionante da Copa: Após o empate em 1 a 1 no tempo normal (com um gol de Kluivert perto do final), Brasil e Holanda estiveram muito perto de conseguir o "gol de ouro", deixando as torcidas em alta tensão durante os trinta minutos. Nos pênaltis, novamente brilhou a estrela de Taffarel, no triunfo brasileiro por 4 a 2.que para sempre ficará marcado pela garra e vontade de vencer do veterano treinador Zagallo ao incentivar seus jogadores. Mesmo com altos e baixos, a Seleção Brasileira chegava à decisão como favorita, ainda que enfrentando um adversário com campanha mais consistente e jogando em casa.

ESCALAÇÕES

França: 16-Barthez; 15-Thuram, 18-Leboeuf, 8-Desailly e 3-Lizarazu; 7-Deschamps, 19-Karembeu e 17-Petit; 6-Djorkaeff e 10-Zidane; 9-Guivarch. Técnico: Aimé Jacquet.

Brasil: 1-Taffarel; 2-Cafu, 4-Júnior Baiano, 3-Aldair e 6-Roberto Carlos; 5-César Sampaio e 8-Dunga; 18-Leonardo e 10-Rivaldo; 9-Ronaldo e 20-Bebeto. Técnico: Zagallo.

O JOGO

PRIMEIRO TEMPO


Ronaldo estava fora da escalação de Zagallo, divulgada 72 minutos antes da partida. Edmundo era o parceiro de ataque de Bebeto. Meia hora mais tarde, seu nome surgiu na lista dos jogadores convocados. O time não apareceu para o aquecimento, o que alimentou boatos de que a Seleção enfrentava problemas internos. O mundo do futebol ficou sem entender o que aconteceu e o mistério permanece até hoje, rendendo boatos e teorias de conspiração de todos os tipos.

Com a bola rolando, a França, com Leboeuf na vaga de Blanc, expulso na semifinal, começou marcando a saída de bola do time brasileiro e bloqueando as descidas dos laterais. Pela direita, Karembeu e Thuram fechavam o corredor de Roberto Carlos; do lado oposto, Lizarazu e Petit vigiavam Cafu. A estratégia de Aimé Jacquet era explorar as costas dos laterais com os meias-atacantes Zidane e Djorkaeff criando as jogadas para Guivarch, mais fixo entre os zagueiros. A Seleção Brasileira parecia perturbada e confusa e errava muitos passes. A saída era tentar as ligações diretas da zaga e de Dunga para os dois atacantes. Defensivamente, o time tinha problemas na marcação no meio-campo, já que no 4-2-2-2, os meias marcavam muito abertos e deixavam espaços para a saída de bola do volante central francês. Deschamps aparecia sempre livre para municiar seus companheiros mais avançados e distribuir o jogo.

Aos 4, Zidane tabelou com Djorkaeff, limpou Júnior Baiano, tocou entre as pernas de Aldair para Guivarch, que chutou mal. Dois minutos depois, o camisa 10 francês bateu falta pela esquerda e Djorkaeff só não marcou porque, livre, acertou a bola com o ombro ao invés de cabecear. A França dominava completamente e só não conseguia marcar pelas tremendas limitações de seu homem mais avançado. O camisa 9 francês tropeçava na bola e se atrapalhava em lances fáceis. No Brasil, Ronaldo parecia bem fisicamente, mas estava tão apático e mal tecnicamente quanto Leonardo e Rivaldo, que deveriam armar as jogadas da equipe. E quando os laterais conseguiam se desvencilhar da forte marcação adversária, cruzavam ou passavam errado. Mesmo assim, o time de Zagallo conseguiu criar algumas oportunidades, como na melhor jogada do Fenômeno na partida aos 22, pedalando e driblando Thuram, e cruzando para Barthez soltar a bola e Bebeto quase aproveitar o rebote. Um minuto depois, Leonardo bateu escanteio pela direita e Rivaldo, livre, cabeceou para boa defesa do goleiro francês.

Aos 27, Roberto Carlos resolveu enfeitar na frente de Karembeu e cedeu o escanteio que Petit bateu e Zidane se antecipou a Leonardo e abriu o placar. Três minutos depois, a única demonstração de que alguma coisa tinha acontecido com o jovem atacante brasileiro: Depois de trombar com Barthez num lance normal, Ronaldo caiu no chão e ficou imóvel. Imediatamente, Cafu, Bebeto e Leonardo correram em direção ao companheiro demonstrando preocupação. O Brasil se abalou ainda mais com o gol e permitiu que a França aumentasse a pressão e criasse oportunidades com Djorkaeff, Petit, e a melhor novamente com Guivarch, que se aproveitou de um erro grosseiro de Júnior Baiano e chutou para defesa de Taffarel aos 44. No minuto seguinte, o gol que praticamente matou a partida: Djorkaeff bateu escanteio pela esquerda, Dunga caiu ao acompanhar Zidane e o craque francês novamente não perdoou. De novo numa bola parada, Zidane conseguia superar a nossa defesa. Mais tarde, Zagallo revelaria que o treinamento para neutralizar as bolas aéreas francesas previa as cobranças do camisa 10, que foi para a área e desequilibrou.

SEGUNDO TEMPO

O treinador brasileiro resolveu soltar a equipe, trocando um inócuo Leonardo por Denílson. Num 4-2-3-1, com Bebeto pela direita e Ronaldo mais enfiado, o Brasil partiu para o ataque buscando a reação. Com dois homens abertos para auxiliá-los, os laterais encontraram mais espaço para atacar. Aos 11, Roberto Carlos cruzou pela esquerda, Ronaldo tirou Desailly com um toque de cabeça e bateu para defesa do goleiro francês.

Aimé Jacques percebeu que Karembeu já encontrava dificuldades de marcar Roberto Carlos e Denílson, e colocou Boghossian para executar a mesma função tática. Vendo o recuo francês, Zagallo plantou Dunga próximo à dupla de zaga e liberou os laterais e César Sampaio para o apoio. Mas aos 18, em falha individual de Cafu, Guivarch perdeu sua última grande oportunidade à frente do goleiro brasileiro, mandando para fora. O treinador francês perdeu a paciência e colocou Dugarry na vaga do limitado atacante.

Aos 22, uma esperança para o Brasil: Desailly, que vinha sendo soberano na defesa, fez falta dura em Cafu e levou o segundo amarelo e posteriormente o vermelho. Zagallo avançou a equipe de vez com a entrada de Edmundo no lugar de César Sampaio. Sentindo a pressão do adversário, a torcida francesa procurou ajudar cantando o hino nacional e vaiando os ataques brasileiros. O Brasil já dava sinais de descontrole: Edmundo reclamou com xingamentos porque Rivaldo, num ato de fairplay, devolveu a bola para o adversário após Zidane receber uma entrada dura e o time francês jogar a bola para fora para o atendimento médico.

Jacquet colocou Vieira na vaga de um cansado Djorkaeff e liberou Zidane para o ataque. Aos 37, Dugarry tabelou com o craque francês e apareceu na cara de Taffarel. Mas, como o titular, o atacante chutou mal e perdeu grande chance. Mas aos 47, num contra-ataque mortal, Dugarry tocou para Vieira que serviu Petit. O meia francês penetrou livre e consolidou o título e sua atuação tática perfeita com o terceiro gol que deu início à festa francesa, com Michel Platini e Jacques Chirac vibrando no estádio junto aos torcedores.

Ronaldo conquistou o prêmio de melhor jogador da Copa mas encerrou a sua primeira grande jornada num Mundial cercado de desconfianças e acusações. O craque só viria a se redimir quatro anos depois com a artilharia e o pentacampeonato. Aquela Copa era de Zidane, que ganharia a Bola de Ouro no final da temporada, e da França, que soube anular as principais armas ofensivas do Brasil e marcar os gols quando precisou. Um título incontestável de quem soube aproveitar o fator campo e se impôs diante de um adversário mais poderoso e tradicional.

VÍDEO

Youtube: http://www.youtube.com/watch?v=nVavSb4Yt2k

posted by ANDRÉ ROCHA | 9:59 PM
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FLAMENGO 2X1 CORINTHIANS



O que dizer de um jogo em que o Fla poderia ter ido para o intervalo com o jogo perdido, empatou no final e garantiu a vitória na segunda etapa com um gol de um Roger praticamente esquecido?

O Corinthians entrou atraindo o adversário para uma armadilha: Chamava os alas do Fla para "baterem" com os seus e colocava os velozes Bruno Bonfim e Lulinha para explorar os espaços pelos lados. A estratégia de Nelsinho dava ainda mais certo pelo avanço excessivo de Angelim, que obrigou Cristian a ficar na cobertura pela esquerda. Sem nenhuma noção de como se posicionar como zagueiro, o volante rubro-negro levou um drible humilhante de Lulinha, que cruzou para Finazzi, nas costas de Jailton, empurrar para as redes.

Até levar o gol, o Fla ia bem ofensivamente, conseguindo criar jogadas pelo meio e dando trabalho a Felipe. Mas a total desorganização na defesa proporcionou ao Timão a chance de definir o jogo, mas faltou experiência ao jovem Bruno Bonfim. Num lance que começou num erro de passe bisonho de Juan, o "Dentinho" recebeu belo lançamento de Moradei, ganhou de Toró, foi puxado, mas resolveu bater mesmo sem equilíbrio e desperdiçou. A torcida do Fla já rezava para a primeira etapa acabar quando Maxi dividiu com Bruno Octávio (que havia entrado na vaga de Carlos Alberto), a bola sobrou para o apagado e nervoso Souza, que deu um passe sensacional de calcanhar para Ibson achar o empate rubro-negro. O meia vinha mal na partida, errando muito e sendo anulado por Moradei e Bruno Otávio, mas seu gol conseguiu injetar moral numa equipe prestes a fraquejar.

Para a segunda etapa, Joel tirou Souza, com dores no pé e pronto para ser expulso, e Maxi, que teve atuação apagada. Com a entrada de Roger, Ibson ficou mais liberado para fazer companhia ao ex-corintiano, com Toró ficando mais na proteção à zaga. Obina ficou isolado à frente, mas lutou muito e deu bons passes, como no lance em que Cristian perdeu diante de Felipe. Antes, no primeiro minuto da segunda etapa, Juan já havia desperdiçado na frente do goleiro corintiano. Joel ainda precisou gastar sua última alteração com o mal estar de Ronaldo Angelim, entrando Rodrigo Arroz.

A equipe paulista recuou demais, os meninos da frente cansaram e o time só teve uma boa chance com Fabio Ferreira. A torcida do Mengo, calada na primeira etapa, resolveu se manifestar, sentindo o bom momento da equipe, que ainda teve duas boas oportunidades com Fábio Luciano e Leonardo Moura. Mas coube ao protagonista mais improvável marcar o belo gol que deu a vitória aos donos da casa: Roger tabelou pela esquerda com Juan, driblou Zelão com facilidade e fuzilou. O gol fez justiça ao domínio rubro-negro e incendiou o Maracanã.

Só que o Fla novamente caiu fisicamente nos dez minutos finais e permitiu que o Corinthians, com Arce e Héverton nas vagas dos exaustos Lulinha e Dentinho, pressionasse e tivesse a grande chance de empatar no lance em que a bola cruzou a área de um lado para o outro e, depois do artilheiro Finazzi tirar o gol de Héverton, Bruno Octávio chutou para fora a oportunidade de somar um ponto importantíssimo para a luta do Timão contra o descenso. Mas seria muito injusto para o Fla de Joel, que foi superior e alcançou sua quinta vitória consecutiva e agora torce contra Cruzeiro e Palmeiras para continuar na zona da Libertadores.

O Rubro-negro surge forte para a briga pelo G-4. Na bola e na estrela.

[Texto publicado no Blag do Mauro Beting: http://www.lancenet.com.br/blogs_colunistas/mauro/comentarios.asp?idpost=10081]

posted by ANDRÉ ROCHA | 1:52 AM
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DECLARAÇÃO DE AMOR

Por José Renato Bonventi


Valeu a pena quando no meu primeiro dia de vida, num berçário em Barretos, resolvi que meu coração teria três cores;

Valeu a pena ter perturbado meu pai para que ele escrevesse uma carta para o Pedro Rocha, dizendo o quanto aquele garoto de 4 anos gostava dele;

Valeu a pena por tantas vezes ter fugido de casa e andado por três quilômetros para vibrar no Pacaembu com os gols de Serginho Chulapa;

Valeu a pena ter saído gritando sozinho na rua, depois que Valdir Peres tirou com os olhos a última chance de empate do Galo decretando a vitória de David contra Golias e, consequentemente, nosso primeiro Brasileirão;

Valeu a pena ter por anos torrado minha mesada em instrumentos musicais, ingressos, panos, viagens e virado madrugadas pintando bandeiras para apoiar o timaço de Dario Pereira;

Valeu a pena ter sido por diversas vezes o primeiro torcedor a entrar no Morumbi, e ficado quase o dia todo esperando na arquibancada fria para ver os passes milimétricos de Pita;

Valeu a pena ter assistido a quase todos os jogos daquele time espetacular chamado "Os Menudos do Cilinho";

Valeu a pena ter quase apanhado da torcida do Guarani depois daquela final surreal que nos deu o segundo Brasileirão;

Valeu a pena ter apoiado Telê depois do vice brasileiro de 90;

Valeu a pena ter não ter abandonado o time e finalmente ser recompensado com o terceiro Brasileirão em Bragança;

Valeu a pena ter ajudado a formar uma imagem que emocionou o mundo todo, invadindo o gramado do Morumbi depois da defesa final de Zetti contra os argentinos;

Valeu a pena ter visto o gol de falta mais lindo da história, humilhando os arrogantes espanhóis;

Valeu a pena ter presenciado a maior exibição de um time numa final de Libertadores;

Valeu a pena aprender italiano com Muller e entender o que quer dizer "QUESTO É PER TÉ, BUFFONE!";

Valeu a pena (e como valeu) ter visto Raí e Cia. dominarem o mundo por dois anos;

Valeu a pena ter passado quarenta e cinco minutos chorando abraçado a minha mulher, enquanto Gerrard e sua turma cansavam de atacar sem sucesso;

Valeu a pena ter ensinado a meus filho que ser são-paulino é pensar grande; é ser vencedor; é não se contentar com pouco; é não ter tempo para absorver derrotas pois as vitórias não tardam; é respeitar os adversários; é ter orgulho de vestir uma camisa repleta de estrelas. Ser são-paulino fundamentalmente é ter orgulho de conhecer a história do maior clube brasileiro e um dos maiores do mundo. E é parar o trabalho para escrever esse texto apaixonado, e ter que explicar para a secretária o porquê dos olhos marejados.

Eu te amo, SÃO PAULO!

Parabéns, clube sem limites!

PARABÉNS, PENTACAMPEÃO BRASILEIRO!

COMENTÁRIO DE ANDRÉ ROCHA: Post mais oportunista do ano. Mas só assim para esse cara aparecer por aqui. Como a conquista foi mais do que merecida e o texto muito bonito, emocionante e emocionado, taí!

Parabéns, Zé Renato! Parabéns, Tricolor!

posted by ANDRÉ ROCHA | 12:23 AM
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